Sobremesa…

poderia ser diferente se
a utopia viesse, por uma vez,
jantar connosco
talvez se deixasse seduzir
por tanta iguaria e tanta fome
talvez cedesse
se o linho lhe tocasse os joelhos
e o vinho os lábios
um rubor que a denunciasse
como vencida e disposta
a ficar, por uma noite ou duas
até a um amanhecer
Ana Saraiva

One Response to “Sobremesa…”

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  1. Alexandre de Castro says:

    Uma sobremesa maravilhosa, servida por insinuações sedutoras e quentes. A nobreza do linho e do vinho servem todas as utopias que alimentam a noite e acabam no encantamento do amanhecer.
    Há uma certa “geometria” na combinação das palavras deste sugestivo poema.

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