Parece anedota, mas talvez não seja: estamos em Portugal…

cavac11.jpg
Expresso, 29.03.2008
O Presidente da República, informa o Expresso (sabe-se lá baseado em que fontes), quer perceber “o que está mal nas escolas portuguesas”. Chama quem… para o ajudar a descobrir? A Ministra da Educação? O Primeiro-Ministro? O presidente do Conselho de Escolas? O presidente do Conselho Nacional de Educação? Nada disso. Chama o… Procurador-Geral da República. Com maior proveito, poderia ter chamado os… Gato Fedorento, que, certamente, lhe diriam coisas muitos mais sensatas do que Pinto Monteiro…
Eu próprio, se Cavaco me convidasse (e Maria de Lurdes Rodrigues, naturalmente, autorizasse), iria a Lisboa, de propósito, explicar-lhe – e em três ou quatro horas, com a preciosa ajuda do seu assessor (e ex-ministro) David Justino, creio que ele perceberia…
Diante da manchete da edição de hoje do Expresso, só posso pensar uma de duas coisas: ou o jornal pirou de vez, ou o Presidente da República errou a agenda…

2 Responses to “Parece anedota, mas talvez não seja: estamos em Portugal…”

Read below or Comentar...

  1. Hugo Cordeiro says:

    O Cavaco devia era chocar-se com outras coisas! Toda esta novela da agressão da professora faz-me rir. Por vários motivos. Primeiro, o caso no Carolina, não foi uma agressão, foi um acto de indisciplina. Segundo, e desculpem que diga, a professora agiu extremamente mal. Em vários aspectos. Primeiro, qual era a sua ideia ao estar a competir com a aluna pela posse do telemóvel? Que lhe desse o telemóvel e lhe fizesse um processo disciplinar ou algo do género. Segundo, não fosse o caso ter sido filmado e tornado público e a senhora nem queixa teria apresentado. Terceiro, quando o fez, apresentou três queixas e, incrivelmente, foi para tribunal com o caso. Ora o caso que foi, em nenhum outro país seria levado para tribunal. Simplesmente porque não é caso para tal e a escola tem que ter competência própria para resolver o problema. Depois foi o PGR que, e passo a informá-lo, já não estamos no tempo de Salazar. O iluminado revelou-se igualmente chocadíssimo e indignado e vai de avançar com o caso para tribunal. Depois é Cavaco Silva que se revela chocado com um mero acto de indisciplina e vai de convocar o PGR, certamente a pessoa mais indicada, para se inteirar da situação gravíssima, diria mesmo caótica, desesperante, completamente anárquica das escolas portuguesas.
    Depois vem a comunicação social que revela, em todo o seu esplendor, a pequenez do nosso país. Toca a fazer do caso escândalo e novela nacional. Toca a ir ver ao YouTube se à outros vídeos de casos de indisciplina. Toca até a fomentar os putos a porem mais vídeos no YouTube e a comportarem-se mal nas aulas para termos notícia. Em França, num caso muito mais grave o que fez a comunicação social? Desdramatizou e mostrou que nos EUA até entram pelas salas de metrelhadora na mão.
    Sinceramente, nos últimos tempos ainda não me mostraram nenhum caso de agressão a professor. Não estou a dizer que o acto não foi grave. Simplesmente não merece nem deve ser tratado do modo como está a ser tratado. Acaba por incentivar outros a fazer o mesmo.
    A minha mão foi professora nos piores liceus de França, levou uma navalhada porque se pôs à frente de um aluno para o defender. Protegeu uma professora grávida que estava a levar pontapés e socorreu um professor inanimado de tanta pancada que levou. Isso sim, é agressão. E no entanto o que se fez? Tudo se tratou nos órgãos próprios, como deve de ser, sem espalhafato e de forma muito mais proveitosa. Parem de fazer disto um caso nacional. Que bom seria se as “agressões” se mantivessem por aqui. Parem com este oportunismo político barato, quer de dirigentes políticos quer dos próprios professores.
    Haja bom-senso.

Comentar