Não sei quem processaria: se Alberto Martins, se José Sócrates…

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Hoje, pela manhã, ia batendo com o carro. Explico. Estava a conduzir, sintonizado na TSF, onde passava, em directo, o debate quinzenal na Assembleia da República com o primeiro-ministro. A páginas tantas, tomou a palavra o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, que questionou “severamente” José Sócrates, exigindo-lhe que falasse sobre… “obras públicas”. O primeiro-ministro começou a responder, elogiando a pertinência e a especial argúcia do questionamento: ora aqui está, finalmente, uma pergunta que interessa aos portugueses! Não garanto que tenha dito exactamente isto, mas, por estas ou por outras palavras, foi o que quis dizer. Comecei a rir, a rir, a rir. Era tudo tão saloio e tão pacóvio que não consegui contar a gargalhada. Parecia uma brincadeira de putos. Já sabes, Alberto, quando chegar o momento de intervires, dizes as balelas do costume e pedes-me que fale sobre… obras públicas. E o Alberto, que até é bom rapaz, fez o frete, convidando-se à caricatura. Gargalhei tanto, que quase ia perdendo o controlo da viatura e atropelando algum peão (certamente, eleitor da maioria)…
Se tivesse batido, não sei, francamente, quem processaria: se Alberto Martins, se José Sócrates. Eles, hoje, pareciam mancomunados no baixo propósito de fazer rir o país das suas próprias misérias. Há dias, confesso, em que sinto vergonha de ser português…
E pensar eu que, há mais de 20 anos atrás, fiz com o Alberto a campanha presidencial da Engenheira Pintasilgo! Como o tempo, o “estatuto” e a paixão partidária mudam as pessoas e as tornam tão risíveis…

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