Improviso sobre um auto-retrato…

Já fui todas as palavras
que não ousaste dizer
as mãos algemadas
numa culpa antiga de gestos
uma quase impotência
finjo que não vejo
o fogo da distância tão próxima
o fogo e o vento gelado
e subo a todas as montanhas
para uivar com os lobos
não lamento nada
escrevo apenas
para que te ouças.

Ademar
19.12.2007


Que dizem as imagens do que fomos? Que diz esta imagem do que fui? Não importa quando. A memória que retemos das pessoas começa sempre por fixar imagens. Depois, talvez, palavras. Por fim, as vozes. E, porém, são as vozes que prolongam por mais tempo a nossa identidade. Não há duas vozes iguais. Talvez, por isso, a música resista melhor do que a poesia à erosão do próprio tempo. A eternidade dos sons pode sempre muito mais do que a eternidade das palavras. As imagens, essas, estão sempre a mudar. Nós é que, frequentemente, não reparamos. Continuo a falar para ser ouvido. E, se possível, vivido…

5 Responses to “Improviso sobre um auto-retrato…”

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  1. Tás lindo caramba,maravilha, pareces um profeta!(um tanto ou quanto profeta louco, mas sábio!) O tempo e a vida moldam-nos por fora e por dentro, mas nunca coincidem as duas imagens, daí o paradoxo!

  2. cândida says:

    Ade, és tu? Não te imaginava assim barbudo! :)
    Bom Natal!

  3. José Veloso says:

    Não sei se me lembras o S. Pedro ou o SantaClaus (seja isto o que quer que seja).
    O certo é que estás espectacular, fantástico!
    Vou ver se consigo fazer um “poster” desta tua fotografia para pôr na parede do meu quarto. (Acreditas??)
    Há tempos dizia-se que o Cunhal, que, se te lembras tinha os cabelos brancos, pintava as sobrancelhas de preto. Coitado, morreu com elas bem brancas, porque nunca as tinha pintado, claro.
    As pessoas não sabem que nem todos os pêlos do corpo embraquecem ao mesmo tempo.
    Mas, o que de certeza, não vai embranquecendo é o espíríto.
    Especialmente se fôr o teu ou o meu, ah! ah! ah!
    Como imagino que não aceitarás os desejos de um bom natal (acho que não és dessa”raça”), aceita-me pelo menos os desejos de um bom ano.
    Com um abração do Zé

  4. Laerte Asnis says:

    Já sabia que pra te reencontrar, uma imagem bastaria.
    Encontrei suas memórias da ponte…ahhhhhhhhh….

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