Improviso sobre Carlos Gardel, para fintar a memória e a distância do desejo…


Quando fechavas os olhos
e a luz para ouvir Gardel
naquele quarto onde todos
tinham nascido
quantas mulheres
cabiam nos teus braços
sem os teus braços saberem?
aprendi o mistério do tango
no teu silêncio granítico
e nas mãos que eu fingia beijar
quando recolocavas a máscara
e me impunhas a bênção
havia tantos desejos anteriores
ao tempo em que nos perdiamos
nessas noites em que aspiravas apenas
ao perfume de uma rosa
sem a mãe suspeitar.

Ademar
31.03.2009

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