Gostava que estes machos tivessem uma vida normal, da cintura para baixo e da cintura para cima. Que não odiassem tanto a humanidade e as suas diferenças. E que a felicidade de todos os seres humanos não fosse, para eles, um permanente pesadelo…

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Confesso: a noite passada tive, como Martin Luther King, um sonho. Sonhei que estes machos, finalmente, tinham deixado de reprimir a sua sexualidade e a sexualidade dos outros. Que, finalmente, eram seres humanos normais, íntegros, capazes de assumir, na plenitude, a sua condição humana. Capazes de se abraçarem a uma fêmea ou a um macho, conforme a sua orientação, e aceitarem a verdade e a fragilidade da relação mais íntima de todas. Sonhei que, depois disso, finalmente, os poderia respeitar. Ouves, Policarpo? Ouves, Ortiga? Ouves, Clemente? Ouves Januário? Quando falais de sexo e da família, eu tenho pena de vós. Porque falais do que não entendeis, do que não experimentastes, e porque vos propondes, assim, à gargalhada. E eu gostava de não me rir de vós. Gostava, sobretudo, de pensar que não sois castrados, nem farsantes, nem pedófilos, como muitos dos vossos pares tonsurados. Gostava de pensar, repito, que sois normais. E que não tendes vergonha de vos olhardes, nus, ao espelho. E de serdes olhados assim…
Nesta época natalicia, só vos posso desejar que, finalmente, possais renascer para a condição humana. Não vos julgueis, na imperfeição, mais perfeitos do que ninguém. A verdade é que não passais de seres humanos amputados. E a humanidade nada poderá esperar de vós, enquanto não vos aceitardes, plenamente, como homens…

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