Diário em forma de silêncio (36)…

Eras tu, quase sempre, que conduzias as minhas mãos. Não que eu precisasse de que me ensinasses o caminho, mas, apenas, porque não queria caminhar na ausência ou distracção dos teus olhos. Eu sabia que o movimento subtil das minhas mãos enfeitiçava e enternecia o teu desejo, refinando-o. E tudo no meu corpo, como sabes, exigia a delicadeza dos teus gestos, quando entravas por mim. Por isso, deixava tranquilamente que me conduzisses. E até que me castigasses. Eu era o teu brinquedo. E deixava-me brincar…
C.A.

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