Diário em forma de silêncio (35)…

A fronteira da neurose, em mim, como sabes, é muito ténue. Que procurei nos homens a que me confiei? A confirmação (a pergunta, de ressonâncias psicanalíticas, quase me repugna) do lado destrutivo do impulso erótico? Percebi, por eles, que era diferente das outras. Era-me estranho o pudor, esse pudor que as mulheres, pelos vistos, cultivam, como ingrediente talvez de sedução. Eu nunca soube de culpas ou estratégias defensivas de género. Há uma mulher em mim que, provavelmente, nunca o foi. Talvez o isolamento (ou algum abuso precoce, que continuo a recalcar) me tenha, de facto, conduzido à desaprendizagem do pudor. Acompanhei-te em tudo. Acompanhei-vos em tudo. E, se não fui mais longe… foi, apenas, porque as sombras projectadas no interior de nós (há um terriório comum em que habitamos) delineavam uma fronteira invisível que não estaríamos e, provavelmente, jamais estaremos em condição de ultrapassar. Talvez Freud, afinal, tivesse razão…
C.A.

One Response to “Diário em forma de silêncio (35)…”

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  1. Bia says:

    Visito a nova casa. Certamente vou acostumar-me a ela, pois que as paredes não são importantes. O que conta é o abraço quando se chega. Beijo.

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