Céus ambulatórios…

desço em direcção ao rio
e levo-lhe água
entro com traços de céu nos bolsos
que as memórias não são pedras
e os versos calam
em presença da sede
tão recente
bebo-lhe a fonte
sirvo-me abundantemente
volto-me mas encontro-te
e envolves-me
nesse manto de água
agora longo e pesado
não voltarei a ver o céu
ainda bem que o trouxe
descuidado
nos bolsos

Ana Saraiva

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