Assédio moral…

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DN, 21.01.2008

Há noções que me “enfeticham” (não vá ao dicionário, que não encontra). Esta, por exemplo: assédio moral. Irresistivelmente, imagino logo Ratzinger celebrando a eucaristia de costas para os fiéis. Será também por receio de ser acusado de… assédio moral?!…

Logo que deixe de me sentir assediado moralmente, consultarei um semiótico…

Sexo! (diz ela)…

Entrou-me pelo gabinete com passo decidido e a fogueira da delação no olhar: “Professor Ademar: estão uns meninos nos computadores a ver sexo!…” Como faço sempre nestas circunstâncias, fingi, para ganhar tempo, que não tinha percebido muito bem o sentido da observação e pedi-lhe que repetisse. Fê-lo exactamente nos mesmos termos: “Estão uns meninos nos computadores a ver sexo!”. E ficou à espera da minha reacção. Levantei-me da cadeira e pedi-lhe que me conduzisse ao local do crime. Atalhou imediatamente que não valia a pena, porque eles já tinham fugido. Para não a frustrar, pedi-lhe que me dissesse quem eram os meninos. Ela pôs um ar muito zangado e respondeu-me: “Acha que eu sou queixinhas? Só quis que soubesse que eles estavam a ver sexo. Mas não lhe vou dizer quem eram.” E saiu porta fora, tão resolutamente como entrara.
O sexo, na adolescência, é um excelente pretexto para o jogo do gato e do rato…
Novembro.2005
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