Quem terá escrito, em 1965, este panegírico a Salazar?…

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Em 1965, recém-licenciado em Direito, morria de amores por Salazar. Em 1969, quatro anos depois, Marcello Caetano chamou-o para o governo. O 25 de Abril apeou-o da manjedoura. Fez o luto que o decoro impunha, mas rapidamente se converteu à democracia. E, pouco tempo depois, regressava discretamente à manjedoura. Em dez anos, passou do salazarismo para o marcelismo e do marcelismo para a democracia-cristã. São estes os portugueses que, sentados quase sempre à mesa do orçamento e acumulando reformas, nos conduzem alegremente na senda do défice e que, de vez em quando, nos impõem, pela pátria, sacrifícios. Reconheceis o autor deste panegírico a Salazar? Claro que não reconheceis…

Parece uma pessoa e até tem vagamente (muito vagamente) aspecto de mulher, mas não passa de um escarro (moral)…



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Correio da Manhã, 18.05.2010

Eis a direita católica e ultramontana na sua mais antiga e repelente e absurda expressão. Os homosssexuais (sobretudo os que querem casar e não procriaram) são um peso para a sociedade, digo, para os contribuintes. Os deficientes, também. E os padres e as freiras. E todos aqueles, afinal, que não concorrem para a propagação da espécie. Se esta gaja (para não lhe chamar outra coisa) pertence mesmo à espécie humana… eu quero ser marciano…

Neste tempo glorioso da “família” que Deus aprova e Cavaco enaltece, ainda havia reis e princesas, que não fornicavam, senão para perdurar a Pátria, e os paneleiros e as paneleiras não podiam casar, pelo menos, entre si…



Três anos depois, seria a desgraça, a todo o vapor. E Portugal nunca mais recuperaria, nem com Cavaco ao leme, o timoneiro de Boliqueime…