“A Santa Paciência, país, a tua padroeira/já perde a paciência à nossa cabeceira.” (Alexandre O’Neill)

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Correio da Manhã, 04.07.2009
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Público, 04.07.2009
Francamente, é-me indiferente que Maria João Pires renuncie à nacionalidade portuguesa. De resto, a nacionalidade portuguesa não se recomenda a ninguém…
O que não me deixa indiferente é o azedume patriótico do Director do Público. Ah, fadista!…

Foi assim que o Padre Nunes Pereira me viu e desenhou, não sei se na Brasileira, se no Moçambique…

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Arrumando papéis, redescobri hoje este retrato, que durante muitos anos julguei perdido. Na altura, foi com uma enorme comoção que recebi das mãos do Padre Nunes Pereira, um artista que todos, em Coimbra, admiravam, este desenho, feito à mesa de um café. Era uma honra ser retratado por ele. Eu não passava de um jovem estudante de direito que tivera a sorte de conhecer o Padre Nunes Pereira e que, muitas vezes, tomava café com ele, na Brasileira e no Moçambique. E ainda hoje estou para saber o que o levou, discretamente, nesse dia, a retratar-me. Tão discretamente, que enquanto o fez… eu não dei conta. Há momentos únicos nas nossas vidas, momentos irrepetíveis. Este, projectou-se num retrato, que com muito orgulho (e muita saudade do Padre Nunes Pereira) reproduzo aqui…

Nuno Barreto…

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Expresso-Actual, 27.06.2009
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Dois quadros de Nuno Barreto, retirados daqui.
Há alguns meses que sabia que o Nuno Barreto estava muito mal e que o fim se aproximava. Hoje, ao folhear o Expresso, confirmei a sua morte. Conheci-o em 1986, quando ele passou a dirigir a Casa Museu Nogueira da Silva, em Braga. Durante dois anos, privámos bastante e aprendi a admirá-lo. O Nuno era um homem superior, nada dado a vaidades efémeras e tolas. Era um excelente fotógrafo, um pintor rigoroso e fulminante e um pedagogo da arte, que eu ouvia sempre com atenção e proveito. A paixão por Macau levou-o para muito longe e nunca mais voltei a vê-lo. Mas recordá-lo-ei sempre como um dos portugueses mais brilhantes que eu tive a sorte de conhecer. O Nuno não merecia ter morrido assim…

SÓ DEZ POR CENTO É MENTIRA (o mais, claro, é invenção): um precioso documentário sobre Manoel de Barros que a Ana já viu (em Paris) e eu, não…

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Manoel de Barros, Livro das Ignorãças
Depois de Fernando Pessoa, Manoel de Barros. São os dois grandes génios da poesia, em português. Manoel de Barros tem 92 anos e sempre se furtou à exposição pública. O realizador Pedro Cezar conseguiu o milagre de o convencer a entrar na personagem de si mesmo. O documentário que realizou, intitulado SÓ DEZ POR CENTO É MENTIRA, passou por estes dias em Paris, no Festival de Cinema Brasileiro. A minha amiga Ana Saraiva foi ver e adorou. Quando o veremos aqui?…

José Henriques Coimbra: perdi um Amigo e um dos primeiros e mais fiéis leitores deste blogue…

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Expresso, 14.02.2009
Assino por baixo tudo o que se diz neste texto. E tudo o mais que se poderia dizer.
O Zé Henriques Coimbra era, de facto, um Senhor. Tive a sorte e o privilégio de o ter como Amigo. A sua generosidade e o seu companheirismo eram inexcedíveis. Devo-lhe inúmeras atenções. Desabafei muitas vezes com ele. Já depois de eu ter abandonado o Expresso, sempre acolheu e publicou os textos que lhe enviava. E nunca deixava de me estimular a escrever mais.
Em 2003, quando publiquei o meu primeiro livro de poesia, o Zé Henriques Coimbra fez questão de estar presente no lançamento da obra e me dar um abraço. Foi a última vez que falámos olhos nos olhos.
Em 2004, quando criei este blogue (então ainda no sapo), o Zé Henriques Coimbra foi um dos primeiros a apoiar e a comentar. E, de vez em quando, sempre discretamente, como era seu timbre, lá me ia dando conta das suas leituras…
Hoje, ao confirmar a sua morte, chorei. A humanidade está de luto…