Quem terá escrito, em 1965, este panegírico a Salazar?…

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Em 1965, recém-licenciado em Direito, morria de amores por Salazar. Em 1969, quatro anos depois, Marcello Caetano chamou-o para o governo. O 25 de Abril apeou-o da manjedoura. Fez o luto que o decoro impunha, mas rapidamente se converteu à democracia. E, pouco tempo depois, regressava discretamente à manjedoura. Em dez anos, passou do salazarismo para o marcelismo e do marcelismo para a democracia-cristã. São estes os portugueses que, sentados quase sempre à mesa do orçamento e acumulando reformas, nos conduzem alegremente na senda do défice e que, de vez em quando, nos impõem, pela pátria, sacrifícios. Reconheceis o autor deste panegírico a Salazar? Claro que não reconheceis…

Quem terá escrito, em 1965, este panegírico a Salazar?…

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Era, na altura, um jovem, recém-licenciado em Direito, em Coimbra. Marcello Caetano, em 1969, chamá-lo-ia para o governo. O 25 de Abril apeou-o da manjedoura. Fez o luto que o decoro impunha, mas converteu-se, rapidamente, à democracia. E regressou, discretamente, à manjedoura. Estarei a falar de quem?…

Hoje, na sanita, tive uma ideia: vou publicar um livro de poesia em forma de rolo de papel higiénico…

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Se, nos últimos tempos, tenho andado a limpar o dito a equações (remeto-vos para a prova da imagem supra), por que não proporcionar aos portugueses e afins uma intimidade congénere com… poesia? Não sei quantos improvisos caberão num rolo de papel higiénico, mas tenho a certeza de que já produzi obra para várias edições. Só me falta encontrar uma… editora…

“Os versos agrupam-se em estrofes” e “o monóstico pertence à estrofe (anterior ou posterior)”…

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Ana Maria Mocho/Odete Boaventura, VOANDO… NAS ASAS DA FANTASIA

Sento-me ao lado do Henrique, o meu filho mais novo, que está a estudar (ou a fingir que estuda). Peço-lhe que me fale sobre o que está a ler. Em vez de falar sobre, começa a papaguear o manual (a página que reproduzi em cima). E eu… começo a irritar-me. Não com ele, mas com os autores dos programas e dos manuais (neste caso, de Língua Portuguesa). Só poderá ser mesmo gente frustrada do prazer da leitura e da literatura. Quem escreve que “os versos agrupam-se em estrofes” (escrevo poesia há quarenta anos e raramente agrupei os meus “versos” em “estrofes”) e “o monóstico pertence à estrofe (anterior ou posterior)”… não regula bem. Mas é esta gente que conduz, diariamente, os alunos a odiarem a poesia (e a literatura, em geral). Que produz programas de ensinança, idiotas, e elabora manuais de estudo, aterradores e deprimentes. Digo-vos: hoje, domingo, tive vergonha de ser professor. E de escrever poesia, desestrofada…

Dos… monósticos, por pudor, não falo…

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Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa