Ana Cristina Leonardo escreve, no Expresso, sobre “Ajudas-me a Morrer?”…

ajudddd09aa111.jpg
Ensaio
Uma católica reflecte sobre um tema polémico: o direito a decidir da sua própria morte. Ela é a favor.
De entre aquilo a que se convencionou chamar temas fracturantes, a eutanásia é aquele que mais dúvidas e polémica levanta. Laura Ferreira dos Santos, licenciada em filosofia e professora na Universidade do Minho, aborda o assunto num livro cujo título evita, precisamente, a expressão eutanásia: “Ajudas-me a Morrer? A morte assistida na cultura ocidental do século XX”. Ao substituir o termo controverso, que remete, entre outros, para o programa nazi de eliminação de deficientes, a autora indicia uma posição favorável àquilo a que prefere chamar “morte assistida”. A obra é, porém, muito mais do que uma simples defesa do direito de cada um a “morrer segundo as suas próprias convicções”. Dá a conhecer a diversa legislação vigente nos países europeus onde a eutanásia já foi despenalizada (estendendo também o estudo à Colômbia e a vários estados norte-americanos), discute exemplos concretos, alguns particularmente mediáticos (como o caso recente da italiana Eluana Englaro), trata com minúcia da situação em Portugal, distingue terminologias, e não recusa reflectir sobre as implicações religiosas, filosóficas, éticas e políticas que o assunto obrigatoriamente levanta. Estamos perante um ensaio sereno e bem alicerçado que não convencerá os defensores da sacralidade absoluta da vida, nem eliminará todas as dúvidas daqueles que torcem o nariz a legislação permissiva em domínio tão sensível. Apesar disso, pela clareza e seriedade de exposição, o livro de Laura Ferreira dos Santos, uma crente que já havia surpreendido pela heterodoxia do seu “Diário de Uma Mulher Católica a Caminho da Descrença” (dois volumes), vem contribuir de forma significativa para um debate cada vez mais urgente.
Ana Cristina Leonardo

Uma lei, pelos vistos, filha de pai incógnito e mãe incerta…

alegggg09aaa2222.jpg
alegrrrr09aaa444.jpg
aleggg09aa1111.jpg
alegrrr09aaa3333.jpg
alegrrrr09aaaa5555.jpg
O Praça da Alegria, da RTP1, dedicou hoje cerca de 15 minutos à análise da lei recentemente aprovada (na generalidade) na Assembleia da República sobre o chamado “testamento vital” ou “directivas antecipadas”. Como já sucedeu noutros debates, a lei foi minuciosamente zurzida por todos os participantes. Mais: ouviu-se mesmo Daniel Serrão, que não é propriamente suspeito de simpatizar com o Bloco de Esquerda, elogiar a crítica cerrada que o médico e deputado bloquista João Semedo fez à proposta de lei do PS no debate parlamentar. E, uma vez mais, não apareceu ninguém do PS a defender a lei, que parece filha de pai incógnito e mãe incerta. Como disse a minha irmã, a lei está mal elaborada, padece de várias imprecisões e contradições e, na prática, se não viesse a ser profundamente revista e melhorada na especialidade, deixaria os cidadãos tão desarmados e desamparados como estão hoje. Esta lei é bem o espelho do que tem sido a governação do PS: uma governação faz-de-conta, arrogante, auto-suficiente, pretensamente iluminada e oportunista. Quantos portugueses, pergunto-me, desejarão continuar a ser governados (até 2013!) por José Sócrates e por este PS, que sempre parece confundir o país com o teleponto?!…
Esta manhã, no Fórum da TSF, Ana Gomes, no rescaldo das eleições europeias, dizia que o problema do PS era, fundamentalmente… um problema de estilo (ou de método). As políticas seriam óptimas, o governo é que nem sempre tivera paciência para dialogar com as “vítimas”, convencendo-as da suprema bondade das suas opções. Quando uma militante e deputada europeia razoavelmente esclarecida como Ana Gomes repete este tipo de baboseiras… imagine-se o que, no PS, pensarão e dirão os outros. Quem tinha razão, de facto, era Brecht: “é só porque toda a gente é tão estúpida que há necessidade de alguns tão inteligentes”. O PS, sob a liderança de Sócrates, bateu no mais fundo de si próprio…