O Expresso pirou de vez…

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Única, 15.12.2007
Sete páginas (sete!), mais a capa. A miúda tem 29 anos e acaba de aterrar no Parlamento. Tem para dizer ao universo e ao país, como se imaginará, coisas extraordinárias. Os critérios editoriais do Expresso tropeçam, semanalmente, no bom senso e estatelam-se no ridículo…

A “fraude”, o “fracasso”, a “ruína”, a “mentira” do Expresso…

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Expresso, 08.12.2007
Na primeira página , é a “ruína do ensino profissional”. Na página 2, é a “fraude” e o “fracasso”. Na página 3, “uma mentira”. Que descobriu de tão grave e definitivo o Expresso? Uma… carta (datada de 22 de Outubro e que eu li há mais de um mês). Carta de um professor aposentado, dirigida (imagine-se!) ao… Presidente da República. Verdadeiramente pungente e aterrador! O país treme de pasmo. E de revolta… Os meninos e as meninas que frequentam os cursos “fazem o que querem”. A escola é, para eles, um lugar de diversão. Não aprendem nada e ninguém chumba. Ninguém chumba, ninguém chumba, ninguém chumba… Os pobres professores vão desesperando, estressam, correm a pedir ajuda aos psicólogos e aos psiquiatras e alguns, mesmo, têm pulsões suicidas. É o caos, meus senhores, é o caos… O caos que o Expresso, a cavalo de uma carta muito pouco confidencial, nos revela…
Vou também escrever uma… carta. Talvez ao menino jesus. E contar-lhe da minha experiência docente em cursos profissionais. Nunca me senti tão útil como professor. Tão útil e tão desafiado. E tão estimulado. E tão enriquecido. Pela primeira vez, sinto que a escola pode fazer algum sentido para milhares e milhares de adolescentes e jovens que, chumbo após chumbo, o “sistema de ensino” tinha empurrado para uma espécie de marginalidade social. Mas o meu testemunho quase feliz, hélas!, não seria notícia para o Expresso…

Viscosidades…

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24horas, 09.12.2007
Há muitos anos que não vejo os programas de Herman José. Julgava até que a criatura já se tivesse reformado. Pelos vistos, não. Ele deve supor que o país lhe deve uma fama eterna e ainda não percebeu que já nenhum canal de televisão, verdadeiramente, o quer. Hoje por hoje, Herman é um fardo. Eu olho para ele e confesso que já só consigo sentir uma imensa repulsa…

(Os McCann, definitivamente, têm a cabeça a prémio)

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24horas, 03.11.2007

Os McCann, definitivamente, têm a cabeça a prémio. O 24horas já os pronunciou, julgou e condenou. E, pelos vistos, não tiveram cúmplices, nem entre os parceiros do “swing” (a psicanalítica obsessão do “criminologista” Barra da Costa). Eles agiram sozinhos…

Racionalmente, alguém será suficientemente crédulo e perverso para acreditar mesmo nesta estória da carochinha?…

Tudo o que sempre quis saber sobre a pastorinha que tinha visões…

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24horas, 14.07.2007
Nos encontros secretos que mantinha com o crucificado… comia tremoços e usava lingerie erótica? E tinha, como Fernando Pessoa, visões alcoólicas? Escrevia com o pé esquerdo ou com o pé direito? E operações plásticas, fez? E é verdade que se depilava e besuntava em pó-de-arroz, antes de se fechar no confessionário com o cardeal cerejeira? E esteve mesmo apaixonada pelo António?…
Se gostava de saber as respostas para estas perguntas, não as procure na edição de hoje do 24horas. Os enigmas da pastorinha continuam por desvendar…

Atirar o Barra à parede!…

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DN, 14.05.2007

Dantes, o “criminologista” de turno às televisões portuguesas era Moita Flores. O ex-polícia e ex-guionista converteu-se, entretanto, em autarca e cedeu o assento televisivo e a avença a um tal Barra da Costa, que aparece identificado como “criminologista” e faz abundantamente de Sherlock. Hoje, no DN, Barra da Costa ataca o comportamento sexual dos pais de Maddie, revelando (Barra tem fontes que só escorrem para ele) que os tão católicos Mccann se dedicam à prática do swing, “promiscuidade” que poderia explicar… muita coisa. Não sei qual é a especialidade “científica” deste Barra, mas na canalhice… ninguém o bate. Deve ser do convívio profissional com a escumalha…

Saudade…

Francisco Lucas Pires… *
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A arrumar papéis antigos, parei nesta fotografia, estampada na edição do Expresso de 9 de Outubro de 1982. A memória recua quase 23 anos. O tempo devora-nos… Ao centro, na fotografia, o Francisco Lucas Pires, então Ministro da Cultura. Dez anos antes, fora meu professor, em Coimbra, de Direito Ultramarino ou Colonial, já não consigo lembrar-me sequer do nome exacto da cadeira. Creio que nem ele levava aquilo muito a sério. Aliás, era uma das facetas mais apelativas da personalidade do Francisco Lucas Pires, o distanciamento irónico com que se via ao espelho. Ele era, sempre, o primeiro a rir de si próprio… Na manhã do 25 de Abril, quando tudo era ainda incerteza, o Francisco Lucas Pires, ao contrário de outros, fez questão de ir à Faculdade e “marcar o ponto”. Não deu “aula”, quis apenas saudar e despedir-se dos alunos. Ele já tinha percebido que a revolução ia virar o país e a universidade do avesso (pelo menos, na epiderme) e que o ano lectivo, para ele, acabava ali. Na grelha curricular do curso de Direito à moda de Coimbra, havia duas disciplinas que, inexoravelmente, estavam predestinadas a morrer com o fascismo: Direito Ultramarino (ou Colonial) e Direito Corporativo (que, sublime ironia, o Vital Moreira chegara a “reger”!). Nessa manhã, eu não fui à Faculdade e não pude ouvir as despedidas do Francisco. Quase dez anos depois, no Pabe, conversámos sobre isso e, sobretudo, rimos muito sobre isso…
O Francisco Lucas Pires era, à sua maneira (muito especial), um homem de direita. Não acreditava excessivamente na bondade da espécie humana e torcia o nariz, politicamente, a todos os messianismos redentores. O convívio intelectual com Beckett, com Camus, com Sartre (que, tão frequentemente, citava nas aulas) e com os pensadores do existencialismo desviara-o do caminho das utopias e das receitas pronto-a-vestir para a salvação da humanidade. O seu antidogmatismo aproximava-o, porém, de uma certa esquerda liberal e estou convencido de que ele teria feito, politicamente, um percurso muito semelhante ao de Freitas do Amaral, se o coração, estupidamente, não lhe tivesse falhado naquela fatídica viagem de automóvel, em 1988. Hoje, dia em que os cristãos celebram a ressurreição de um messias, apeteceu-me evocar aqui a memória de um dos portugueses mais ilustres e brilhantes que tive a honra de conhecer: Francisco Lucas Pires. Não conheço, pessoalmente, o seu filho Jacinto. Tenho acompanhado, à distância, o seu percurso literário. Mas de uma coisa tenho a certeza: em tudo aquilo que ele escreve, de uma forma ou doutra, o pai (desculpa, Teresa, escrevê-lo assim!) está presente… Por isso, posso dizer que o Francisco não morreu…
27 de Março de 2005, dia de Páscoa
* publicado em abnoxio.blogs.sapo.pt