Improviso para contar talvez o vento…

Que te ignorassem os astros
e a noite continuaria ainda a acordar
no teu corpo
já não há poema que nos distraia
do tempo em que seremos
o vento ouves o vento
esse gemido quase animal
que parece confundir no horizonte mais próximo de nós
o íntimo rumor de todos as palavras?
sim
talvez a vida tropece ainda nos teus gestos
esse lastro de imaterialidade
que te projecta muito para além da própria vida.

Ademar
10.01.2007

Improviso para desejar apenas boa viagem…

Pode ser que o universo
comece e acabe em ti
e que Einstein afinal se tenha enganado
que tudo passe pelo teu corpo
e se submeta a ele
e que te ofereças
a todos os movimentos de translação
sem te confiares a nenhum
pode ser mesmo que não tenhas
fim nem princípio
que comeces onde acabes
e acabes sempre onde comeces
e pode ser que a tua vontade
seja a própria fonte do cosmos
e que nada exista fora de ti
ou dentro
pode ser até que viajes apenas
neste poema.

Ademar
08.01.2007