Pornografia intemporal à moda de Braga…

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Esta estátua de Diana, a deusa da caça, foi durante um quarto de século (grosso modo, entre 1951 e 1974) um dos ex-líbris de Braga. Indígenas e forasteiros acorriam ao Nosso Café, na então Avenida Marechal Gomes da Costa (hoje, como antes, da Liberdade), para confirmar se a estátua estava ou não descoberta. Conforme os humores de quem mandava na parvónia, em nome de Salazar e Cerejeira, Diana vestia-se ou despia-se. Era o Portugal dos Pequeninos à moda de Braga.
O Nosso Café que eu conheci já não existe e, francamente, não sei que destino foi dado a Diana. A pornografia, hoje, é outra. Tem a forma da ponta de um báculo arquiepiscopal…

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Improviso sobre um auto-retrato…

Já fui todas as palavras
que não ousaste dizer
as mãos algemadas
numa culpa antiga de gestos
uma quase impotência
finjo que não vejo
o fogo da distância tão próxima
o fogo e o vento gelado
e subo a todas as montanhas
para uivar com os lobos
não lamento nada
escrevo apenas
para que te ouças.

Ademar
19.12.2007


Que dizem as imagens do que fomos? Que diz esta imagem do que fui? Não importa quando. A memória que retemos das pessoas começa sempre por fixar imagens. Depois, talvez, palavras. Por fim, as vozes. E, porém, são as vozes que prolongam por mais tempo a nossa identidade. Não há duas vozes iguais. Talvez, por isso, a música resista melhor do que a poesia à erosão do próprio tempo. A eternidade dos sons pode sempre muito mais do que a eternidade das palavras. As imagens, essas, estão sempre a mudar. Nós é que, frequentemente, não reparamos. Continuo a falar para ser ouvido. E, se possível, vivido…