Subscrevo, na íntegra, estas duas observações de Vital Moreira…

Centenário da República (1)

Na cerimonia inaugural de ontem no Porto, foi incluída entre os discursos oficiais uma oração por um capelão das Forças Armadas. Tendo em conta que uma das grandes conquistas da República foi separação entre o Estado e a religião, o mínimo que se pode dizer é que se tratou de uma iniciativa despropositada e de mau gosto.

Centenário da República (2)

Na mesma cerimónia inaugural as entidades oficiais que iam chegando eram publicamente anunciadas pelas suas qualificações académicas (“dr.”, “prof. doutor”, etc.).

Revertendo ao espírito original da igualdade republicana, por que não aproveitar o Centenário para abolir de novo e definitivamente tais formas de tratamento do discurso e dos documentos oficiais?

Não aceito! Faça-se um referendo em forma de sondagem…

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24horas, 31.01.2010

PROPOSTA DE REFERENDO
PERGUNTA PRINCIPAL

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Concorda com a substituição deste horrível e deprimente busto da República?…
PERGUNTA ACESSÓRIA, MAS FUNDAMENTAL

Pressupondo, obviamente, que votou SIM à pergunta principal, qual acha que deveria ser a nova imagem da República?

a) O nariz de José Sócrates.
b) Os bíceps de Cristiano Ronaldo.
c) Os testículos de Zezé Camarinha.
d) Os óculos de Pedro Abrunhosa.
e) Um piscar de olho de José Rodrigues dos Santos.
f) O hissope de José Policarpo.
g) A Sé de Braga.
h) Um moinho de vento.
i) Um gato fedorento.
j) Uma bola de futebol.
k) Os Três Pastorinhos.
l) As traseiras do Palácio Nacional da Ajuda.
m) Carlos Castro.
n) O berbequim de Emídio Rangel.
o) Um avental de Salazar.
p) Blimunda nos braços hercúleos de Duarte Pio de Bragança.
q) Um tacho.
r) Uma venda.
s) Um crucifixo em ouro maciço.
t) A Estação do Oriente.
u) Uma azinheira.
v) Um falo qualquer, à escolha de João Cutileiro.

O crisma e a amnésia de Marcelo…

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Sol, 22.01.2010
Pessoalmente, tenho estima por Marcelo, que ainda foi meu director no Expresso. É, a léguas, o militante do PSD mais bem preparado e apetrechado para liderar e reconduzir o partido ao governo, em próximas eleições. Leio-o e ouço-o sempre com prazer. Politicamente, divirjo dele em quase tudo. Religiosamente, então, estamos nos antípodas. Ele sente-se bem no meio da padralhada católica, que o adula. Eu, que nasci e cresci entre padres e freiras, sinto-me sempre agoniado. E a diocese de Braga é, historicamente, uma imensa necrópole de iniquidades. Que Marcelo a considere, na actualidade, “viva e bem viva”… eu percebo. Como também percebo que, na mesma lógica, hoje destaque a jovialidade de Eurico Dias Nogueira, o arcebispo mais grotesco e hilariante que Braga teve no século XX. O problema, meu caro Marcelo, é a memória: esse Eurico é o mesmo que, nos finais dos anos setenta, ficou tristemente célebre por, do púlpito, ter ofendido grosseiramente Sá Carneiro e Snu Abecassis…