“Os versos agrupam-se em estrofes” e “o monóstico pertence à estrofe (anterior ou posterior)”…

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Ana Maria Mocho/Odete Boaventura, VOANDO… NAS ASAS DA FANTASIA

Sento-me ao lado do Henrique, o meu filho mais novo, que está a estudar (ou a fingir que estuda). Peço-lhe que me fale sobre o que está a ler. Em vez de falar sobre, começa a papaguear o manual (a página que reproduzi em cima). E eu… começo a irritar-me. Não com ele, mas com os autores dos programas e dos manuais (neste caso, de Língua Portuguesa). Só poderá ser mesmo gente frustrada do prazer da leitura e da literatura. Quem escreve que “os versos agrupam-se em estrofes” (escrevo poesia há quarenta anos e raramente agrupei os meus “versos” em “estrofes”) e “o monóstico pertence à estrofe (anterior ou posterior)”… não regula bem. Mas é esta gente que conduz, diariamente, os alunos a odiarem a poesia (e a literatura, em geral). Que produz programas de ensinança, idiotas, e elabora manuais de estudo, aterradores e deprimentes. Digo-vos: hoje, domingo, tive vergonha de ser professor. E de escrever poesia, desestrofada…

Dos… monósticos, por pudor, não falo…

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Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

Parabéns, Alexandre!…

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O mocinho da fotografia perfaz hoje… 35 anos. Dá pelo nome artístico de Alex Santos e é… o meu filho mais velho. Só não nasceu no dia 25 de Abril por razões… eleitorais. Ele sabe disso e não se queixa…

Aqui para nós que ninguém nos lê, parabéns, Alexandre!…

O que se diz quando se fala do que se não é…

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(…)
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Sábado, 25.03.2010
Se eu não tivesse um filho daltónico… saberia, provavelmente, muito pouco sobre o daltonismo. Este “mestre” leu umas coisas, mas continua a dizer, sobre o daltonismo e os daltónicos, ligeirezas. Por exemplo: que os daltónicos não vêem o arco-íris. Claro que vêem: só não o vêem como aqueles que o não são. Ou que, relativamente à bandeira nacional, não são capazes de a colocar na posição correcta. Claro que são: a não ser que sejam atrasados mentais. É caso para dizer: em terra de daltónicos, quem distingue as cores primárias… é rei. Digo: “mestre”…

“O gajo é lento!”…

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Jantávamos. Quando, inesperadamente, apareceu José Gil no Jornal das Nove, da SICNotícias, pedi aos meus filhos mais novos que… prestássemos atenção. O Henrique (11 anos) fingiu adormecer. O Francisco (17 anos) fingiu que ressonava. Interrogado por Mário Crespo, José Gil lá foi debitando as vulgaridades do costume. No fim, pedi ao Henrique um comentário. Saiu, fulminante: Pai, o gajo é lento! E o Francisco acrescentou: estava sempre a repetir-se!
José Gil ainda não aprendeu o óbvio: a televisão é um meio estranho à filosofia e ao professorado. Se fosse um pouco mais clarividente ou um pouco menos vaidoso, recusaria liminarmente todos os convites para ser interrogado em directo por um Mário Crespo qualquer. Os ritmos da televisão não conjugam com os ritmos do pensamento ruminante. O Henrique, nos seus onze anos, poderia ensinar José Gil a dialogar um pouco melhor com o espelho…

Improviso para F …

Os outros
parecem-te sempre de mais
ou porque arrefeças
nos corredores sombrios
em que te esperam
ou porque ignorem ainda
a medida mais próxima
dos teus medos imaturos
não têm braços nem mãos
e falam dialectos ilegendáveis
os outros
o teu desespero
com toda a esperança dentro.

Ademar
08.03.2010

Improviso para dizer, discretamente, ao ouvido de um filho…

Para o Francisco, que hoje perfaz 17 anos…
Todas as pessoas
até os pais
são seres imaginários
ninguém fora de nós
faz inteiramente parte de nós
há muitas estranhezas
que cobramos ao pensamento
quando batemos à porta
de tudo o que está para além
do que podemos tocar
um dia perceberás que só a poesia diz
o que o olhar não fala.

Ademar
13.01.2010

Improviso para Franciscar…

Já não sei contar estórias
nem histórias
mas o Francisco pergunta
por que escrevo estória
em vez de história
e história
em vez de estória
e eu conto
o amor não se vende
nem se aluga
oferece-se apenas
não tem mercado.

Ademar
14.05.2009

Um poema (quase plagiado) do meu filho Francisco…

Improviso para coser estrelas…
Noites bem presas ao chão
de um piano, um baixo e duas guitarras
ou seria uma bateria electrónica
nas batidas bem definidas
de um sonho de Henrique
dias quentes e secos
são uma merda
mas é a natureza
um ensaio na garagem
da surdeira
é a verdade da ciência, antes…
e depois.

Francisco Ademar Sarmento
Poema baseado num bloguista português