Uma nota melancólica…

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Foi na década de cinquenta que o meu tio António Lopes Ferreira, sucedendo nos negócios da família ao meu avô materno, fundou em Braga a “Sorte à Vista”, para fazer frente à “Casa da Sorte”, de Nogueira da Silva. A denominação criada pelo meu tio pegou de estaca e ainda hoje, depois da sua morte, ela perdura no centro da cidade. Vê-la aqui associada ao futebol de todas as manhas, negociatas e trapaças… entristece-me profundamente. Braga, apesar de tudo, é muito mais do que isto…

A “minha” Brasileira…

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Público, 17.03.2009
Quando eu era criança e comecei a acompanhar, digo, a servir de bengala ao meu avô Agostinho, havia duas Brasileiras, frente a frente, cada uma no seu gaveto: a Brasileira Velha e a Brasileira Nova. Ouvi, mil vezes, contar a estória: na segunda guerra mundial, os “anglófilos” e os “germanófilos” de Braga não partilhavam a mesma Brasileira. Os adeptos dos aliados frequentavam a Brasileira Velha. Os adeptos dos nazis e dos fascistas aglomeravam-se na Brasileira Nova. O meu avô, como todos os “democratas” de Braga, frequentava (e eu, atrelado a ele) a Brasileira Velha. Foi neste santuário, que hoje reabre ao público, que eu comecei a perceber que a unanimidade em torno de Salazar era uma grande mentira. A Brasileira Nova já morreu. Morreu na enxurrada do 25 de Abril…

Nunca hei-de entender como, em Portugal, certos políticos conseguem sempre fazer excelentes negócios imobiliários, exibindo meios de fortuna cuja origem, aparentemente, escapa ao entendimento comum…

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Público, 20.02.2009
Por outro lado, nunca me esqueço de que, um dia, há muitos anos, um empreiteiro procurou um tio meu, pedindo-lhe que me comunicasse que, se eu desistisse de publicar uma determinada investigação, ele me venderia por um preço simbólico um magnífico T3 no prédio que, ilegalmente, estava a construir, com a conivência de um presidente de câmara. Pensei: se o silêncio de um jornalista se “comprava” com a promessa de um apartamento, quanto valeria a conivência do autarca?!…
É, por isso, que eu continuo a rir quando leio certos desmentidos…

Estes professores não apenas fizeram greve, oferecendo ao Estado um dia de salário, como pagaram do seu bolso uma “publicidade” de página inteira num diário regional…

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Diário do Minho, 19.01.2009
Foi nesta escola, que já foi Comercial e Industrial, que estudou, há muitos anos, o meu pai. Tiro o chapéu aos colegas que decidiram, desta forma, afrontar o ME em mais um dia de greve nacional de professores…