O segundo “Forrest Gump” do Partido Socialista…


Expresso-Única, 15.05.2010

Ele há… coincidências! Não tenho aqui, de momento, o exemplar da revista do Expresso de 24 de Julho de 2004, em que Sócrates, também numa longa entrevista, se dizia um “animal feroz”. Mas quase poderia jurar que a entrevista era ilustrada com, pelo menos, uma fotografia de Sócrates também sentado num banco de jardim (espero que não fosse o mesmo banco em que se senta agora Seguro). Se a memória não me trai, faltava à fotografia de Sócrates como Forrest Gump a assinatura da sombra, que agora pode ser vista na fotografia de Seguro. Como os políticos portugueses, quando se prestam à pose, são tão primários e tacanhos!…

O Público faz hoje vinte anos…

Há vinte anos que leio o Público diariamente. Mesmo no estrangeiro, nunca deixei de comprar o jornal… e, regressado à terrinha, era no Público que me punha a par do que, entretanto, acontecera no país e no mundo. Os principais jornalistas do núcleo fundador do projecto do Público (Vicente Jorge Silva, Nuno Pacheco, José Manuel Fernandes, Joaquim Fidalgo, José Queirós, para só referir alguns) tinham sido meus colegas no Expresso. Perceber-se-á, por isso, a atenção com que sempre acompanhei o percurso do jornal e que, no Público, tenha encontrado guarida para a publicação de alguns artigos (como, actualmente, acontece com a minha irmã). Folheando os meus arquivos, descobri o primeiro artigo que publiquei no jornal, em Janeiro de 1992. Recupero o título e um excerto. E assim me associo hoje à comemoração do vigésimo aniversário do Público…

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Público, 08.01.1992

Fechou o Avenida…

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Avenida Central era um blogue bracarense em forma de tertúlia, feito por gente infinitamente civilizada. Acabou. Ao seu principal mentor, o Pedro Morgado, só poderei agradecer a companhia ilustre que proporcionou ao abnoxio, nestes últimos três anos. A blogosfera ficou mais pobre. Os espertalhões à moda de Braga terão menos com que se preocupar. Calou-se mais uma voz que arranhava a cobardia. Espero apenas que outras avenidas se abram…

Quem não se recorda do… “miles y miles”? Portugal, 1974…

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Notícias Sábado, 21.11.2009
Alguns leitores terão conhecido o personagem. Havia quem suspeitasse que ele trabalhava para a CIA. Outros, que não passaria de um aldrabão e de um oportunista. Alojei-o em minha casa durante alguns dias. Naquele tempo, todos os chilenos expatriados eram, em Portugal, recebidos como heróis. Ouvi-lhe muitas estórias. Algumas, só percebi depois, não passavam de estórias da carochinha. Não sei se Skármeta conheceu a criatura. Sei, apenas, que certamente o inspiraria…

A Escola de S.João do Souto, em Braga, e “os crucifixos na parede”…

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i, 04.11.2009
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Há cinquenta anos, de facto, era assim. Todas as salas de aula da então Escola Primária de S.João do Souto exibiam nas paredes o medonho crucifixo. Deve ser a esse tempo que se reporta a entrada da notícia do i. Digo isto porque, quando o meu filho Francisco, mais recentemente, frequentou a mesma Escola, os crucifixos já tinham sido, há muito, retirados das paredes. E não estou a ver que, depois disso, a situação se tenha alterado. Mas não deixa de ser curioso que, em 2009, o i garanta que as salas da Escola de S.João do Souto “continuam a exibir crucifixos na parede”. Continuam? Em que parede, exactamente? E quantos crucifixos?…

Lino Ferreira…

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Público, 17.10.2009

Entre 2002 e 2005, Lino Ferreira (na fotografia) desempenhou as funções de Director Regional de Educação do Norte, Tivemos pegas monumentais e, em algumas reuniões, quase nos chegámos a insultar. Mas sempre deu a cara, nunca mandou recados por ninguém. E, na fase terminal do seu mandato, passou de adversário do projecto e da Escola da Ponte a seu aliado, batendo-se pela aprovação do contrato de autonomia que propuséramos. Apesar das divergências e das discussões que tivemos, sempre nos respeitámos. E não fora o empenhamento de Lino Ferreira, ainda hoje a Escola da Ponte não teria a sua autonomia, formalmente, reconhecida…

Ironia das ironias: foram aqueles que, na oposição, mais declarações de amor fizeram à Escola da Ponte que, no governo, lhe viraram as costas, pondo em causa a sobrevivência de um projecto educativo que, no passado, tanto tinham elogiado. Espero para ver até onde irá o descaramento do PS, sendo certo que, nas actuais condições, a Escola da Ponte não sobreviverá por muito mais tempo…

Uma mesa: nota saudosista…

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Correio da Manhã, 02.09.2009

Nas extremidades desta mesa, dois ex-colegas meus de curso e de turma, na Faculdade de Direito de Coimbra: o António Marinho e a Anabela Rodrigues. No primeiro ano, pelo menos, era norma sentarmo-nos nos anfiteatros por ordem alfabética. Na primeira fila, os alunos cujos nomes começavam por A. Antes de mim, Ademar, havia dois ou três, já não me recordo. A seguir a mim, o Adriano. E depois do Adriano, à nossa esquerda, a Ana Costa Almeida, a Anabela Rodrigues, os Antónios todos, incluindo o Marinho Pinto. Nos primórdios da década de setenta, as mulheres ainda eram raríssimas na Faculdade de Direito de Coimbra. Professoras, não havia. Se a memória não me está a pregar uma partida, a Anabela Rodrigues foi a primeira ou uma das primeiras mulheres a doutorar-se na Faculdade e a assumir a regência de uma cadeira. Era uma mulher muito bonita e uma colega estimável: delicada, companheira, solidária. Ainda hoje, mais de trinta anos volvidos, mantenho o mesmo apreço pessoal pela Anabela. E a mesma amizade pelo Marinho. É gente boa: gente que nunca fez malfeitorias (nem precisou de vender a alma ao diabo) para se impor…