Um deputado com vocação para… carteirista?…

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Sábado, 06.05.2010

Com toda a franqueza, deste deputado nunca esperei grandiosidades. Por isso, não estranhei o seu gesto. O que muito me surpreendeu e, civicamente, magoou foi a “solidariedade” que, prontamente, lhe foi manifestada pelo líder parlamentar do PS. Grande exemplo, Francisco Assis! Grande exemplo para a juventude portuguesa!…

Os alunos odeiam a escola? Posso garantir-vos que os professores odeiam muito mais…

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Público, 04.05.2010

A escola dos papagueadores (professores e alunos), burocratizada até ao esqueleto, converteu-se nas últimas décadas num cemitério hamletiano de fantasmas e frustrações. Os professores, pendurados dos programas e dos manuais e das sacrossantas planificações, fingem que ensinam; os alunos, cada vez mais impacientes e insurrectos, fingem que aprendem. E vivem todos, na escola, para o solipsismo da estatística, europeia ou nacional, não importa qual. Se todos os professores frequentassem o blogue do Paulo Guinote e respondessem a esta sondagem… os resultados seriam ainda mais deprimentes. Os alunos odeiam a escola? Posso garantir-vos que os professores odeiam muito mais…

Quem tiver a solução… dê um passo em frente. Talvez caia, finalmente, no abismo…

Eles acreditam mesmo no que dizem e sabem como tudo se resolveria…

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Medina Carreira, Nuno Crato, Guilherme Valente. Três sábios, como eles próprios se julgam e se dão a entender. Os alunos saem das escolas cada vez mais ignorantes e incompetentes… porque o país, simplesmente, não os ouve. A eles, os sábios. Eles têm a solução para os males da educação (e do ensino) e até já publicaram, hélas!, um manifesto com a terapêutica, tudo explicadinho, tim-tim por tim-tim. Mas o país não lhes prestou atenção, porque ninguém quer saber de Rousseau e o “facilitismo”, dizem, rende votos. Eles têm uma tese conspirativa e paranóica: três ou quatro doutrinadores do “eduquês”, entrincheirados nas escolas superiores de educação e no ministério da dita, capturaram a inteligência dos professores, convertendo-os em “idiotas úteis” ao serviço de uma causa tenebrosa: a propagação da ignorância e da indisciplina. Eu ouço-os com uma paciência próxima do nirvana e rio, rio, rio. Eles estão mesmo convencidos de que “sabem” e que têm a “solução”, a “fórmula”. Eu, se fosse deus, confiar-lhes-ia a gestão de uma escola pública e dar-lhes-ia todos os meios que eles pedissem… para salvar os alunos das garras da “ignorância” e da “indisciplina”. Depois… ao fim, digamos, de cinco anos, pedir-lhes-ia contas. Isto, claro, se ainda os encontrasse, vivos e de boa saúde, ao leme da escola…*

* Declaração de interesses: tenho 57 anos, sou professor do ensino secundário, já dei a cara por um centro de formação e por uma escola, e há quase trinta anos que escrevo contra o… eduquês. Ainda Medina Carreira, Nuno Crato e Guilherme Valente não tinham lido… Rousseau…

“Os versos agrupam-se em estrofes” e “o monóstico pertence à estrofe (anterior ou posterior)”…

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Ana Maria Mocho/Odete Boaventura, VOANDO… NAS ASAS DA FANTASIA

Sento-me ao lado do Henrique, o meu filho mais novo, que está a estudar (ou a fingir que estuda). Peço-lhe que me fale sobre o que está a ler. Em vez de falar sobre, começa a papaguear o manual (a página que reproduzi em cima). E eu… começo a irritar-me. Não com ele, mas com os autores dos programas e dos manuais (neste caso, de Língua Portuguesa). Só poderá ser mesmo gente frustrada do prazer da leitura e da literatura. Quem escreve que “os versos agrupam-se em estrofes” (escrevo poesia há quarenta anos e raramente agrupei os meus “versos” em “estrofes”) e “o monóstico pertence à estrofe (anterior ou posterior)”… não regula bem. Mas é esta gente que conduz, diariamente, os alunos a odiarem a poesia (e a literatura, em geral). Que produz programas de ensinança, idiotas, e elabora manuais de estudo, aterradores e deprimentes. Digo-vos: hoje, domingo, tive vergonha de ser professor. E de escrever poesia, desestrofada…

Dos… monósticos, por pudor, não falo…

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Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

A mocinha jornaleira deve ter lido algures 1893, mas não acreditou. De modo que trocou o 8 pelo 9 e atrasou a história… um século…

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i, 21.04.2010
É de Junho de 1893 a célebre Portaria que, pela primeira vez, interditou o uso da palmatória nas escolas portuguesas. Kátia Catulo achou por bem corrigir a data e garantia ontem aos leitores do i que foi em… 1993. E a asneira, a partir de agora, circulará na net e muitos e muitos estudantes que têm apenas o google como fonte de informação irão repeti-la. Comentários para quê? É uma jornaleira portuguesa, com certeza!…