Assédio moral…

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DN, 21.01.2008

Há noções que me “enfeticham” (não vá ao dicionário, que não encontra). Esta, por exemplo: assédio moral. Irresistivelmente, imagino logo Ratzinger celebrando a eucaristia de costas para os fiéis. Será também por receio de ser acusado de… assédio moral?!…

Logo que deixe de me sentir assediado moralmente, consultarei um semiótico…

O direito de morrer…

A vida é um valor sagrado – ouvi dizer há pouco numa reportagem (aliás, excelente) sobre a eutanásia, que passou no jornal da noite da SIC.
O adjectivo é, obviamente, uma armadilha: “sagrado”, no contexto da proposição, remete para uma alteridade qualquer, sabemos qual. A vida não pertenceria ao próprio, mas a outrem, o grande criador. E não pertencendo ao próprio, ninguém, nem o próprio, poderia dispor dela. Eis o argumentário de base de quem se opõe ao reconhecimento legal do direito à eutanásia e ao suicídio assistido (argumentário, porém, que não impede a maior parte dos estados americanos de continuar a aplicar, suponho que em nome de deus, a pena de morte).
Eu contraponho: a vida é um direito individual absoluto. Só o próprio pode dispor dela. Ponto final, parágrafo.
O mais é uma questão procedimental. Importante, certamente, porque a fronteira entre o homicídio e a eutanásia não pode ser equívoca. Mas os meios não diminuem, nem afectam os princípios. E o princípio é o direito de cada um a dispor da sua vida, que compreende o direito de pedir e obter ajuda para morrer.
26.02.2005
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