Quintino (perdão: Dr. Quintino): o justiceiro implacável…

Tenho um lado masoquista. É o que, em Portugal, me conduz, por exemplo, a ler Espada e Madrinha, no Expresso, José Manuel Fernandes e Helena Matos, no Público, João César das Neves, no Diário de Notícias, Isabel Pinhão, em A Bola, Rui Santos, no Record, José António Saraiva, no Sol, António Mega Ferreira, na Visão, Vasco Graça Moura e Nuno Crato, onde quer que publiquem, etc, etc, etc…
E, aos domingos, no 24horas, o indescritível e inqualificável Dr. Quintino. Deixo-vos com mais uma pérola (terapêutica)…

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24horas, 22.06.2008

A maldição de um adjectivo…

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Quando, em 2000, organizei e prefaciei este livro (que reunia 40 artigos e crónicas de Rubem Alves, originariamente publicados no Brasil), propus ao autor um título provocatório: “Por uma Educação Romântica – Brevíssimos Exercícios de Imortalidade”. O Rubem achou graça e deu o seu aval. E a edição portuguesa lá saiu com esse título.
Dois anos depois, a editora brasileira Papirus decidiu retomar a obra e lançá-la também no Brasil. O título foi abreviado e ficou só “Por uma Educação Romântica”.
Estávamos longe de imaginar, eu e o Rubem, que o adjectivo iria pegar de estaca em Portugal para qualificar a pedagogia, essa arte suspeita de ser, com o chamado eduquês, a causa de todos os males do mundo. Nos últimos anos, tornou-se mesmo moda em Portugal abjurar a pedagogia, adjectivando-a de “romântica” para acentuar ainda mais a sua perversa e anquilosada… imprestabilidade.
Hoje, os alunos e os educandos em geral já não precisariam mais de pedagogos, mas de ensinadores ou técnicos de ensino, transmissores de conhecimento. E, independentemente das capacidades e dos ritmos de aprendizagem de cada um, independentemente dos conteúdos, dos contextos relacionais e dos métodos utilizados, eles aprenderiam.
Claro que os professores e os educadores com experiência pedagógica sabem que não é assim. Mas que importa isso, se alguns fazedores de opinião e treinadores de bancada já decretaram a morte ou a inutilidade da pedagogia?!…
Cumpra-se então o decreto, a bem da Nação!…

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Nem salazarista, nem marcelista, nem partidário do Estado Novo, nem fascista, nem, provavelmente, ele próprio…

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Público, 21.06.2008
Espero que Eduardo Cintra Torres, o “mentiroso” a quem José Miguel Júdice, por conta do direito de resposta, dirige esta catilinária, mostre “arrependimento”. E, depois, partilhe com os leitores do Público as “provas escritas” que Júdice promete fornecer-lhe…