A pílula do dia seguinte de… Sócrates…

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Acompanhei a inquirição de Henrique Granadeiro. Não repetirei aqui o que ele disse à Comissão. Mas sobra-me a convicção de que o seu testemunho abriu a cova em que Sócrates, politicamente, será enterrado. O dia 26 de Junho de 2009, mais do que o dia 24, ficará gravado nos anais da história portuguesa como o dia em que um governo encenou uma pantomina para diversão e engano dos portugueses incautos. É a expressão máxima de um estilo de governação, em que a verdade e a seriedade não contam: conta apenas o espelho da vaidade de um primeiro-ministro. Pobre país este, governado por gente com tão pouco carácter…

A minha memória mais intensa do dia 25 de Abril de 1974…

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Se for vivo, suponho que sim, terá oitenta anos (nasceu em Novembro de 1929). Dá pelo nome de António Castanheira Neves e fez carreira como professor da Faculdade de Direito de Coimbra, onde, como aluno, o conheci, no dealbar dos anos setenta do século passado. Foi o professor mais incompetente que tive na Faculdade: não conseguia comunicar, nem se fazia entender. Os alunos saíam das aulas a perguntar uns para os outros: o que é que ele disse? E riam. O homem era completamente destituído de competências comunicacionais, mas fez toda uma brilhante carreira universitária a escrever e a publicar para os mortos, que os vivos não faziam parte do seu mundo. Castanheira Neves era um produto refinadíssimo do conúbio entre um certo salazarismo envergonhado (fora, de resto, procurador à Câmara Corporativa) e a igreja católica, que representou em diversas instâncias. Não lhe quero mal: tenho pena dele, acho que era, como professor e como ser humano, um tipo profundamente infeliz, que só disseminava à sua volta a infelicidade. Nada aprendi com ele, a não ser a distrair o tédio…

No dia 25 de Abril de 1974, quando chegou à Faculdade para dar aulas (como se nada tivesse, entretanto, acontecido no país), Castanheira Neves só não foi agredido (e, porventura, barbaramente agredido) porque um grupo de ex-alunos, entre os quais eu me encontrava, o defendeu e o escoltou. Todos ali o odiávamos ou detestávamos, mas… o bom senso triunfou. Ele era tão medíocre e tão grotesco que não merecia que o transformássemos em mártir da revolução. E nada de grave ou irreparável lhe aconteceu. Ouviu uns insultos, mas ninguém lhe tocou. E jamais me esqueci ou esquecerei do pânico que vi nos seus olhos quando os alunos o rodearam e começaram a invectivá-lo. O pobre homem deve ter pensado que dali já não saía vivo. Mas saiu… e sem um arranhão. Pelo menos, na pele. Só não sei se algum dia recuperou do susto do 25 de Abril…

Para definitiva consagração da pátria, espero que não se esqueçam de juntar ao fado… a faca e o alguidar, o escarro e a esmola, caritativa, ao ceguinho…

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Notícias Sábado, 24.04.2010
Sou português, apenas, há novecentos anos, nem tanto. E o fado, o faduncho, é uma miséria recente e nem sabe de pai, nem de mãe. Consagrai-o nas tabernas e deixai a humanidade em paz!…

O mocinho não falou na Comissão de Inquérito para não se… incriminar…

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Quem não se sente recomendado a falar, sorri. E este sorriso merece todas as indulgências. Socialistas…
Carolina Patrocínio, se a empregada lhe faltasse, concordaria comigo. Rui Pedro Soares tem mesmo ar de quem é capaz de servir a fruta sem caroços…

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DN, 22.04.2010