Ecos da morte de Eduardo Melo… (3)

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24horas, 20.04.2008
Muitos milagres hão-de ser atribuídos, a partir de agora, à intercessão de Eduardo Melo. O 24horas, na edição de hoje, revela dois: a conversão de Maria Barroso ao catolicismo e a recuperação de parte das ossadas de três santos, roubadas, há mais de 600 anos, por bandidos a soldo do arcebispo de Santiago de Compostela…
Eu sei de muitos outros milagres, mas não os revelarei, nem sob tortura…

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24horas, 20.04.2008

Ecos da morte de Eduardo Melo… (2)

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Correio do Minho, 20.04.2008
Braga tem dois diários: o Diário do Minho, propriedade e instrumento da arquidiocese, e o Correio do Minho, que começou por pertencer à Legião Portuguesa e, depois do 25 de Abril, passou para a propriedade da Câmara Municipal de Braga, servindo ainda actualmente de espantalho mediático a Mesquita Machado e ao PS.
Hoje, o Correio do Minho consegue bater aos pontos o seu colega eclesial, na homenagem que presta ao “grande patriota” e ao “grande bracarense” que foi Eduardo Melo.
O funeral, amanhã, reunirá certamente as elites do fascismo e do socialismo à moda de Braga…

Morreu Eduardo Melo…

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Apareceu, hoje, morto em Fátima. Um dia teria que ser…
Morre com ele, simbolicamente, o pior da igreja católica (e de um certo ultramontanismo) à moda de Braga.
Limito-me, simplesmente, a registar a ocorrência.
A morte não limpa a repugnância.
Nesta matéria, como noutras, não dou para o peditório da hipocrisia lusitana…

Pornografia intemporal à moda de Braga…

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Esta estátua de Diana, a deusa da caça, foi durante um quarto de século (grosso modo, entre 1951 e 1974) um dos ex-líbris de Braga. Indígenas e forasteiros acorriam ao Nosso Café, na então Avenida Marechal Gomes da Costa (hoje, como antes, da Liberdade), para confirmar se a estátua estava ou não descoberta. Conforme os humores de quem mandava na parvónia, em nome de Salazar e Cerejeira, Diana vestia-se ou despia-se. Era o Portugal dos Pequeninos à moda de Braga.
O Nosso Café que eu conheci já não existe e, francamente, não sei que destino foi dado a Diana. A pornografia, hoje, é outra. Tem a forma da ponta de um báculo arquiepiscopal…

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Como se defende, apaixonadamente, em Braga, o interesse público!…

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Público, 11.03.2008
Do Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga recebi a seguinte Nota Informativa (reproduzo apenas a parte propriamente informativa da Nota):
“A Comissão Municipal de Abertura de Propostas para a ?Requalificação Urbanística do Topo Norte da Avenida da Liberdade?, em Braga, deliberou esta segunda-feira (10 de Março) admitir ao concurso público as três propostas concorrentes.
Ao concurso ? recorde-se ? apresentaram-se dois consórcios e uma empresa a título individual, a saber: ?Domingos da Silva Teixeira, SA?/Alexandre Barbosa Borges, SA? (7 809 126, 86?), ?Arlindo Correia e Filhos, SA?/?Europa Ar-Lindo, SA? (7 901 889, 26?) e ?Britalar, SA? (2 903 338, 92?).
O acto público havia sido suspenso para apreciação de uma reclamação apresentada pelo consórcio ?Arlindo Correia e Filhos, SA?/?Europa Ar-Lindo, SA? contra a admissão da proposta candidatada pela empresa ?Britalar, SA?, reclamação motivada por alegadas imprecisões processuais.
A Comissão Municipal de Abertura de Propostas considerou improcedente a reclamação apresentada, anunciando para quarta-feira (12 de Março) a leitura da respectiva acta, momento a partir do qual o consórcio contestatário poderá interpor nova reclamação.”

Repare-se nos montantes exactos das propostas:
Consórcio 1: 7 809 126, 86?
Consórcio 2: 7 901 889, 26?
Empresa a título Individual: 2 903 338, 92?
Os consórcios, que, curiosamente, se dispunham a fazer a obra por valores bastante aproximados (o Espírito Santo, em Braga, não dorme), alegam que a empresa a título individual só pôde apresentar um valor relativamente tão baixo porque não cumpriu o caderno de encargos.
Mesquita Machado, o eterno presidente socialista da CMB, que detesta que os jogos sejam ganhos na “secretaria” (ele próprio terá usado esta metáfora de óbvias ressonâncias futebolísticas), terá dito já que “ou a Britalar ganha a obra ou o concurso é anulado”.
Malevolamente, por certo, há quem lembre (como o Público, na edição de ontem) que a Britalar é a empresa de construção do presidente do Sporting Clube de Braga, um tal Salvador.
Na Sicília dos bons velhos tempos, esta pugna seria, liminarmente, resolvida a tiro. Em Braga, não. Os consórcios condenados, neste jogo, à derrota acabarão, uma vez mais, por perceber que, em Braga, manda sempre quem pode. Provavelmente, procurarão ainda consolo espiritual junto do Cónego Melo, que apelará certamente ao bairrismo e à colaboração dos empresários desavindos, fazendo-lhes ver que a Câmara e o SCB têm interesses estratégicos comuns, que importa salvaguardar. E que, em próximos concursos, ganharão eles…
Conheço este filme há 30 anos…
E os dois consórcios ora derrotados… também…

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Diário do Minho, 29.01.2008
Três livros, três cargos. Melo serve a Deus com três livros, num mútiplo orgasmo editorial. Lino serve a Pátria com três cargos: na administração de dois hospitais públicos (Braga e Barcelos) e na regência de uma disciplina, na UM. Este é o Portugal que mexe, que cria, que se desdobra e que espanta.
Melo, para além de escrever e publicar em catadupa, ainda zela pela preservação das boas práticas futebolísticas, no Sporting Clube de Braga.
Lino, para além de assegurar a sobrevivência de dois hospitais e uma universidade, ainda carrega o fardo de ser irmão do eterno presidente da Câmara de Braga, Francisco Mesquita Machado.
Esta gente, definitivamente, não vê Braga por um canudo…