Quando, ao folhear um jornal como o Público, esbarro com anúncios deste género… penso logo que os nomeados morreram…

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Público, 13.04.2010

Digo-vos: quem tem “familiares” capazes de publicar um anúncio como este… não precisa de inimigos, nem de detractores. Devo referir que, embora os apelidos não me sejam estranhos, não conheço (ou julgo não conhecer) a “Excelentíssima Senhora Doutora” Ana Maria…

Estes católicos estão sempre a “ressussitar-me” para a gargalhada!…

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Apesar de ateu, sou presenteado, por ocasião das “festas”, com o boletim da “minha” paróquia. Leio sempre, com a mesma alegria com que, na adolescência, saboreava os almanaques e o borda-d’água. Pensar que, na freguesia em que nasci, ainda há portugueses que vão à missa, que mandam os filhos à catequese, que pagam a côngrua, que abrem as casas, no domingo de páscoa, ao “compasso”… é algo que continua, perversamente, a excitar o meu anticlericalismo. É tudo tão primário, tão estúpido e tão medieval que me pergunto sempre como ainda é possível…
Acresce que o “meu” pároco é um bom rapaz do Opus Dei que conheço desde os tempos de menino e moço, quando começou a dar aulas, na escola em que eu trabalhava, de Educação Moral e Religiosa Católica. Ele deve pensar que eu sou o Diabo, porque, quando nos cruzámos no bairro, ele tenta evitar-me e fugir, não vá eu interpelá-lo sobre os vícios da seita. E eu rio, rio, rio…
Hoje, quando abri o boletim paroquial e li “ressussitou”… gargalhei. Ainda não foi crucificado e já estão a… ressussitá-lo!…

Uma nota melancólica…

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Foi na década de cinquenta que o meu tio António Lopes Ferreira, sucedendo nos negócios da família ao meu avô materno, fundou em Braga a “Sorte à Vista”, para fazer frente à “Casa da Sorte”, de Nogueira da Silva. A denominação criada pelo meu tio pegou de estaca e ainda hoje, depois da sua morte, ela perdura no centro da cidade. Vê-la aqui associada ao futebol de todas as manhas, negociatas e trapaças… entristece-me profundamente. Braga, apesar de tudo, é muito mais do que isto…