Foi assim que o Padre Nunes Pereira me viu e desenhou, não sei se na Brasileira, se no Moçambique…

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Arrumando papéis, redescobri hoje este retrato, que durante muitos anos julguei perdido. Na altura, foi com uma enorme comoção que recebi das mãos do Padre Nunes Pereira, um artista que todos, em Coimbra, admiravam, este desenho, feito à mesa de um café. Era uma honra ser retratado por ele. Eu não passava de um jovem estudante de direito que tivera a sorte de conhecer o Padre Nunes Pereira e que, muitas vezes, tomava café com ele, na Brasileira e no Moçambique. E ainda hoje estou para saber o que o levou, discretamente, nesse dia, a retratar-me. Tão discretamente, que enquanto o fez… eu não dei conta. Há momentos únicos nas nossas vidas, momentos irrepetíveis. Este, projectou-se num retrato, que com muito orgulho (e muita saudade do Padre Nunes Pereira) reproduzo aqui…

Nuno Barreto…

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Expresso-Actual, 27.06.2009
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Dois quadros de Nuno Barreto, retirados daqui.
Há alguns meses que sabia que o Nuno Barreto estava muito mal e que o fim se aproximava. Hoje, ao folhear o Expresso, confirmei a sua morte. Conheci-o em 1986, quando ele passou a dirigir a Casa Museu Nogueira da Silva, em Braga. Durante dois anos, privámos bastante e aprendi a admirá-lo. O Nuno era um homem superior, nada dado a vaidades efémeras e tolas. Era um excelente fotógrafo, um pintor rigoroso e fulminante e um pedagogo da arte, que eu ouvia sempre com atenção e proveito. A paixão por Macau levou-o para muito longe e nunca mais voltei a vê-lo. Mas recordá-lo-ei sempre como um dos portugueses mais brilhantes que eu tive a sorte de conhecer. O Nuno não merecia ter morrido assim…