Recordando, quase seis anos depois, a primeira postagem que dediquei a José Sócrates…

Um animal feroz…

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Proclama-se um esteta em matéria de mulheres e cita Vinicius (“as feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental”). Confessa que não sabe (nem tem inclinação para) cozinhar, mas horroriza-o a desigualdade entre os cônjuges, com o homem a mandar e a mulher a obedecer. Por isso, reclama-se afoitamente do paradigma da “nova família democrática”, baseada na igualdade entre géneros (supõe-se também que na cozinha…) e no respeito pelos direitos das crianças. Diz-se cristão, mas não católico, afirmando-se tocado por “uma religiosidade muito própria”. Informa que raramente vai ao futebol, mas adianta patrioticamente que não perde um jogo da selecção e sofre pelo Benfica. Em matéria de comportamentos, diz-se “muito liberal, muito liberal”, mas não tem ainda opinião formada sobre a adopção de crianças por casais homossexuais, porque ainda não estudou suficientemente o assunto. Perguntado se alguma vez fumou um charro na juventude, responde socraticamente que “foi um jovem do seu tempo”. Presume-se que, na juventude, já era liberal, muito liberal…

Politicamente, confessa-se iluminado pelos exemplos de três “grandes combatentes políticos e grandes homens de Estado”: Guterres, Mitterand e Willy Brandt. E, em crescendo de intensidade, cita de cor uma “frase extraordinária” de Bernstein (“o reino da democracia é o reino do compromisso”), para logo a seguir deixar cair a máscara do putativo conciliador, admitindo ter “um feitio pouco dado ao compromisso” e fazer sempre um “grande esforço para se inclinar para esse lado”, porque, quando acha que tem razão, é “um animal feroz”.

A entrevista de Sócrates ao Expresso de ontem deve ter deixado Santana e Portas (e Cinha Jardim, com eles) em estado de pânico. Vem aí, ai que medo!, um “animal feroz”!…

Dois mil anos depois, (abram alas!) a grande política vai finalmente regressar ao Coliseu…

25.Julho.2004

Terrorismo na blogosfera…

Este blogue esteve inoperacional nas últimas horas (não sei quantas, à hora em que escrevo esta nota). Não foi a primeira vez. Não será, provavelmente, a última. A avaliar pela quantidade de comentários insultuosos que recebo todos os dias, deve haver muita gente interessada em calar-me, de uma forma ou de outra. E deve haver meios, muitos meios, para o conseguir. Ainda que seja, apenas, por algumas horas. Não me conhecem, porém. Nunca ninguém me calou. E já não tenho idade para ser silenciado. Se não for no weblog ou no sapo (que frequentei nos primeiros anos), será noutra plataforma qualquer. Mais depressa, garanto-vos, Sócrates deixará de ser primeiro-ministro…

Recordando uma parte do que, neste blogue, já se publicou sobre Armando Vara, no dia em que se soube que foi constituído arguido…

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Quem se mete no PS, prospera

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Correio da Manhã, 21.09.2009

E o Brasil aqui tão longe

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Correio da Manhã, 09.04.2008

Salto à Vara

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Público, 24.12.2007

Haverá ainda alguém neste país que fique VARAdo?!
Um administrador da CGD que não gosta de pimenta

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Sábado, 12 a 18 de Abril de 2007

Um reitor providencial…
Este também é licenciado pela Independente!…

Uma aposta poética…

Há um ano fiz uma aposta comigo, que não partilhei com ninguém: que seria capaz de escrever e publicar, durante 2008, 365 poemas, um por cada dia. Conferi há pouco (espero não me ter enganado): foram… 390. Venci a aposta!…

Ao contrário do que podereis julgar, sou um crítico implacável da poesia que faço. Em geral, acho que é uma merda, relativamente bem elaborada (a técnica é fácil de aprender). Dos 390 improvisos que escrevi em 2008, talvez publicasse em livro uma meia centena. Os outros não são mais do que jogos ou brincadeiras de palavras…

Não sei se, em 2009, terei vontade de continuar a escrever algo que se pareça com poesia. Nesta altura, estou mais inclinado a publicar um diário. Veremos se sou capaz e em que termos…