Improviso para epopeia e contrafacção…

Hoje morreram em Portugal
até às vinte e três horas
contei-as uma a uma
duzentas e oitenta pessoas
e nasceram
duzentas e setenta e duas
tenho uma hora
uma hora apenas
para inverter o contador da demografia
e suster o défice
pela pátria
como o primeiro-ministro
faço tudo.

Ademar
18.05.2010

Doze motoristas (homens) para Sócrates e uma secretária…







Diário da República, 2ª Série, 18.05.2010

Treze despachos, publicados hoje, dia 18 de Maio de 2010. Todos datados de 30 de Abril e produzindo efeitos a 26 de Outubro de 2009. Repare-se que alguns dos nomeados são requisitados a empresas privadas, uma delas, a Deloitte, conhecida empresa de auditoria. Confesso que ignorava que o Governo podia requisitar trabalhadores a empresas privadas. Como também ignorava que a Presidência do Conselho de Ministros não tivesse, no seu quadro de pessoal, motoristas. Ou será que os doze agora nomeados acrescem aos do quadro? Sendo assim, quantos motoristas, no total, terá o primeiro-ministro ao seu serviço? Vinte? Trinta? Quarenta? Cinquenta? Não me poderá ceder um?…
Seja como for, estes despachos comprovam algo que, há muito, se sabia: as mulheres, em Portugal, não se recomendam a motoristas. Pelo menos, de José Sócrates…

Quem terá escrito, em 1965, este panegírico a Salazar?…

(…)


(…)
Em 1965, recém-licenciado em Direito, morria de amores por Salazar. Em 1969, quatro anos depois, Marcello Caetano chamou-o para o governo. O 25 de Abril apeou-o da manjedoura. Fez o luto que o decoro impunha, mas rapidamente se converteu à democracia. E, pouco tempo depois, regressava discretamente à manjedoura. Em dez anos, passou do salazarismo para o marcelismo e do marcelismo para a democracia-cristã. São estes os portugueses que, sentados quase sempre à mesa do orçamento e acumulando reformas, nos conduzem alegremente na senda do défice e que, de vez em quando, nos impõem, pela pátria, sacrifícios. Reconheceis o autor deste panegírico a Salazar? Claro que não reconheceis…