ATENÇÃO, ATENÇÃO, ATENÇÃO! Este cavalheiro não pode dar sangue: tem pensamentos de risco…

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i, 30.07.2009
Considerando que toda a relação sexual envolve ou pode envolver comportamentos de risco, a partir de agora só poderá dar sangue, em Portugal, quem declare e comprove que nunca, na vida, fodeu…

7 Responses to “ATENÇÃO, ATENÇÃO, ATENÇÃO! Este cavalheiro não pode dar sangue: tem pensamentos de risco…”

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  1. José Veloso says:

    Caríssimo Ademar:
    Um abração!
    Sabes que sou Médico, sabes que sou teu Primo, sabes que tive necessidade de me serem transfundidas muitas unidades de sangue e de plasma (acho que 32!!! Imagina o que isso é). Sem isso eu não estaria aqui a comentar este teu “post”. Mas, não quero comentá-lo na qualidade de Médico, de Primo, quero comentá-lo na qualidade de doente.
    Gostarias de saber que morri por ter recebido uma transfusão contaminada? Depois de ter sido salvo da doença que me obrigou a ser ligado a uma máquina de respiração assistida durante 3 meses, só por que um cidadão com SIDA (convencido que fazia uma grande coisa) deu uma unidade de sangue? (Seja hetero, homo ou bissexual) Mais, plenamente convencido que isso, em lugar de ser um dever, era um direito? Desculpar-me-ás, mas se quem tem o dever de defender a minha saúde pensa assim, eu tenho de, neste caso, estar em desacordo contigo.
    Mais: Custa-me que não tenhas chamado a atenção para a “aldrabice” do jornal ao afirmar que os “homossexuais que mentem devam responder criminalmente”. Do corpo da entrevista (que reproduzes) subentende-se que todos serão responsáveis e que todos, nessa circunstâncias, deveriam responder ciminalmenente, seja qual fôr a sua orientação sexual.
    Mais um abraço.
    É sempre com muito gosto que te vou seguindo pelo Abnóxio.
    Os genes do Sr. Agostinho das Folhas vão-me sempre obrigando a vir Abnóxio reviver a Cruz de Pedra e as recordaçoes que me ficaram.

  2. Dario Silva says:

    Ao José Veloso: temos leituras diferentes da entrevista. Infelizmente, dela extraí sobretudo a “obrigatoriadade” de empacotar as pessoas de acordo com as suas opções sexuais.
    Por certo, isto nada terá a ver com o facto de em Espanha 25% da população já ter pago para ter sexo. Contra isto, não há tabu, é “normal”, ninguém estranha e não se condena nas homilias.
    Mas percebo e respeito o seu ponto de vista.

  3. Caríssimo Zé
    Agradeço o reparo, mas… não poderei subscrevê-lo.
    A respeito desta questão sempre disse:
    1- O controlo da qualidade do sangue recolhido só pode ser feito a posteriori e jamais a priori (e, obviamente, espero que nunca me injectem sangue contaminado, mesmo que ele provenha do Papa).
    2- Admito, por razões de economia, que os serviços de saúde não procedam à recolha de sangue de dadores “problemáticos”.
    3- Mas não poderei aceitar que essa decisão técnica e política (porque também de uma decisão política se trata) se baseie em preconceitos de natureza homofóbica ou outra.
    4- Como bem sabes, a promiscuidade sexual está relativamente bem distribuída por todas as “orientações” e os “comportamentos de risco”, hoje, estão bastante generalizados.
    5- O que eu não posso aceitar é que um homossexual, simplesmente por o ser, seja impedido de de dar sangue, mesmo que tenha um comportamento sexual muito menos promíscuo e “arriscado” do que muitos homossexuais.
    6- Ou seja, o que pode constituir aqui um problema não é uma determinada “orientação sexual”, mas um conjunto de “comportamentos sexuais” (que, em si, não têm… orientação).
    7- Quero lá saber, Zé, que o sangue que me injectem tenha corrido nos vasos de um homossexual ou de um heterossexual! O que eu quero, simplesmente, é que o sangue que eu receba me ajude a viver e não a morrer.
    Diz-me: onde falha a minha argumentação?
    Um grande abraço, Primo!

  4. Anónimo says:

    Caro Dário:
    Não percebo o que quer dizer com “empacotar” pessoas. Na entrevista o que leio é que os heterossexuais que são eliminados por terem comportamentos de risco aceitam essa eliminação e os homossexuais acham que isso é discriminação. Estarei errado nesta leitura?
    Quanto ao facto de 25% dos espanhóis terem pagado para ter sexo, desculpar-me-á, mas não percebo por que traz isso à conversa. Pagar por sexo significa sexo não seguro? Pagar por sexo é obrigatoriamente comportamento de risco? Continuo a pedir-lhe desculpa, Dário, mas parece-me que V. é que pensa como os que rezam as tais homilias de que fala: para esses sim, pagar por sexo é fogo do inferno pela certa!
    Caríssimo Ademar:
    Concordo plenamente contigo nos pontos 1, 2 (desde que sejam os outros a pagar, isto é tu, eu, eles, nunca nós – que nós só temos direitos), 4, 6 e 7. Quanto aos pontos 3 e 5 não encontro na entrevista, pelo menos na parte que reproduziste, qualquer impedimento para que um homossexual (ou heterosexual, ou bissexual ou prostituta, ou necrófilo, ou zoófilo ou masturbador ou quem quer que tenha outro qualquer comportamento) só por que o é, seja liminarmente excluido de ser dador de sangue.
    O que leio na entrevista (e com o que concordo – volto a dizer, como doente) é que quem assumidamente opta por ter um comportamento de risco (ter esse direito ou não ter é outro assunto, que não está aqui em discussão) deve abster-se de pretender fazer dávida de sangue seja qual for a sua orientação sexual. Dar sangue, que eu saiba, não é um direito de cidadão. mas, um dever é, com certeza, zelar pela saúde pública.
    Agradeço-vos.
    Abraços.

  5. Ah, Zé, percebi finalmente! Tu tens andado distraído! Por mais absurdo que te possa parecer (como me pareceu a mim), os homossexuais, só por o serem (e desde que confessem, naturalmente, a sua pecaminosa e hedionda natureza!), estão impedidos de dar sangue, em Portugal. Decisão soberana do teu colega Olim, confirmada pela também tua colega Jorge, ministra da saúde. É contra esta grosseria que eu me tenho batido, desde que a infeliz orientação superior foi conhecida…
    Um abraço!

  6. dario Silva says:

    Caro anónimo,
    o que não me agrada é o modo automático como os homossexuais são colocados no rol dos “maus”. Se a pergunta aos dadores fosse algo global, do género “tem comportamentos de risco”, aí caberia toda a gente por igual.
    Do jeito que a coisa é feita, e sabendo que existem exames a montante, parece-me opressivo.
    Sei lá, a seguir vem alguma pergunta ligada à dieta ou ao emprego?

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