Improviso para desdizer do novo mundo…

Sós
entre telas
entre teclas
e o universo talvez lá fora
ainda praticável
na esteira da lua
de todas as noites
e cada vez mais distante
como a ausência
são tantos os espelhos
a que nos vemos
amiga
que já não nos reconhecemos
em nenhum.

Ademar
31.03.2010

Inês de Medeiros: o descaramento sobre duas pernas andarilhas…

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Sábado, 31.03.2010
Esta converseta de desengate já me enoja. Inês de Medeiros foi eleita pelo círculo de Lisboa e presta, politicamente, contas aos eleitores do círculo de Lisboa. Que tenha casa em Paris, em Moscovo, em Chicago ou em Freixo-de-Espada-à-Cinta não é, nem poderia ser relevante para efeitos da aplicação do disposto no artigo 16º, nº1, do Estatuto dos Deputados: “No exercício das suas funções ou por causa delas, os Deputados têm direito a subsídios de transporte e ajudas de custo correspondentes.” Repito: “No exercício das suas funções ou por causa delas”. Um deputado eleito pelo círculo de Lisboa não pode invocar que está em trabalho político e parlamentar quando, ao fim de semana, se desloca a Paris, a Moscovo, a Chicago ou a Freixo-de-Espada-à-Cinta para se encontrar com os filhos ou ir ao teatro. Há muitos deputados eleitos nos círculos de Portugal continental que têm filhos a viver no estrangeiro, e, que eu saiba, nenhum se atreveu ainda a exigir o pagamento de subsídio de transporte quando sai do país, ao fim de semana, para os visitar. Inês de Medeiros, apesar de eleita pelo círculo de Lisboa, sente-se diferente: ela acha que o parlamento deverá custear-lhe essas viagens, porque tem casa e filhos em Paris. E tem o atrevimento de apontar o dedo acusador a quem lhe nega essa mordomia.
E a mocinha faz parte, imagine-se, da Comissão de… Ética!…

Antes de ameaçar os mensageiros e os eventuais caluniadores, talvez não lhe ficasse mal uma declaração pública a exigir ao Ministério Público o esclarecimento cabal de todas as suspeitas que sobre ele possam impender…

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DN, 31.03.2010
Se está inocente, como afirma, deverá querer e exigir que tudo se saiba e se esclareça cabalmente, o mais rapidamente possível. Depois… ajuste contas com os eventuais caluniadores…

Duas narrativas que não colam…

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Correio da Manhã, 31.03.2010
Se a alegada vítima continua a dizer que tem fotografias do padre nu a “brincar” com outros menores e se o MP, como tem afirmado, está na posse dessas fotografias… que esclarecimentos irá prestar o padre, onde e como? E o MP… que dirá? Que não tem as fotografias? Que não conseguiu identificar, inequivocamente, o adulto que nelas aparece? Que não conhece a identidade dos “outros menores” ou que, tendo-os identificado e interrogado, nenhum se queixou de ter sido abusado pelo padre? Estes são os únicos esclarecimentos que poderão fazer alguma luz sobre esta estória. O que o padre possa dizer… será irrelevante. Se é pedófilo e abusador de crianças, não tem carácter, nem sentido da honra. E quem não tem carácter, nem sentido da honra… mentirá sempre compulsivamente.
A palavra, pois, ao Ministério Público. Não pode permanecer a suspeita de que fechou os olhos a uma denúncia de abuso sexual de menores, para proteger, simplesmente, “uma pessoa importante”…

António Nóvoa: uma entrevista…

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“Nos tempos que correm, de tanto ruído e agitação, gostaria muito de escrever um livro sobre a pedagogia do silêncio”.

Eu também, meu caro António, eu também. Estou cansado do ruído dos lugares-comuns, dos preconceitos e da maldade…

Transcrevo a parte final da entrevista, que poderá ser lida, na íntegra, aqui.

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REVISTA EDUCAÇÃO – 02/2010 – EDIÇÃO 154