A aventura do circo…

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Confesso: há muitos anos que não tinha pena de uma ministra da educação. Não sei quem cometeu a maldade de sugerir ou impor a Isabel Alçada que aparecesse em directo nos telejornais, para defender os pontos de vista do ME no termo de mais uma ronda negocial, falhada, com os sindicatos. Isabel Alçada achou-se, de repente, indefesa, no meio do circo mediático. Todos os canais queriam interrogá-la ao mesmo tempo. Ela começava a responder a um e, logo de imediato, era interpelada por outro. Parava, sorria e lá tentava dizer alguma coisinha, antes de voltar a ser interrompida. Um espectáculo deprimente…
Confesso: tenho simpatia pessoal por Isabel Alçada. É uma pessoa educada, civilizada, bem intencionada. E é uma mulher que não se põe em bicos de pés ou engrossa a voz para parecer um macho, como a sua infeliz antecessora. Claro que não deixa de ser ministra da educação, num tempo em que ninguém desejaria sê-lo. Aceitou o (en)cargo e agora… paciência: aguenta, Isabel!…
Evidentemente que sei também que não há acordo possível entre o ME e os sindicatos, por mais estórias da carochinha que Isabel conte. Maria de Lurdes Rodrigues deixou um pesadíssimo legado que as escolas e os professores, tão cedo, não conseguirão superar. Escrevo isto com a tranquilidade de quem, tendo sido “promovido” a professor titular, sempre se bateu pelo fim da divisão da carreira. E, com prejuízo pessoal, não aceitou colaborar na farsa avaliativa imposta pela anterior equipa ministerial.
E sei que não há acordo possível porque a educação não é uma prioridade de investimento deste governo (como não foi do anterior). E porque a política de Isabel Alçada será sempre a política consentida pelo Ministério das Finanças. E porque a avaliação dos professores nunca será pensada para distinguir e premiar os bons desempenhos individuais e as boas práticas escolares, mas para… poupar, poupar, poupar… E isto os professores nunca aceitarão, porque aspiram há muito a uma carreira sem funis e sem constrições artificiais.
Pobre Isabel: em que labirinto te meteste!…

No dia em que os direitos das minorias fossem referendados… as minorias ficariam sem direitos…

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Visão, 30.12.2009
Esta petição não passa de uma esperteza saloia (os saloios que me perdoem). Folgo, por isso, que a esquerda parlamentar, no seu conjunto, diga não ao referendo. A este e a todos os referendos que impliquem o reconhecimento de direitos às minorias…