Improviso para saudar, na intimidade, Mário Cesariny…

Um sacrário pode ser isto
as caixas
em que se conservam as tuas cinzas eternas
cartas poemas e outros escritos
tudo à espera ainda de quem te desvende
e interrogue
e esta foi a tua caligrafia
e todos estes objectos que animaram
a casa onde morreste
e estes eram os livros
que impacientemente anotavas
nos intervalos de pintares a vida
a intimidade dos artistas
nenhuma sonata nos amarra assim
à enxuta autoridade de uma memória.

Ademar
01.10.2009