Improviso sobre a memória de Pina Bausch…

A beleza tem sido sempre
uma empresa de poucos
os predadores de todas as máscaras e condições
governam o planeta
a norte e a sul
cultivando nos desertos o conformismo
ou direi a obediência
ninguém voava como ela
em círculos de fogo tão estreitos
sem tirar os pés do chão
ou sem que o corpo
pesasse tão pouco sobre os pés
ninguém despiu assim a infinitude
da mais física irreverência
em braços e mãos que pareciam apenas
enlaçar a lua.

Ademar
30.06.2009
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Foi assim que o Padre Nunes Pereira me viu e desenhou, não sei se na Brasileira, se no Moçambique…

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Arrumando papéis, redescobri hoje este retrato, que durante muitos anos julguei perdido. Na altura, foi com uma enorme comoção que recebi das mãos do Padre Nunes Pereira, um artista que todos, em Coimbra, admiravam, este desenho, feito à mesa de um café. Era uma honra ser retratado por ele. Eu não passava de um jovem estudante de direito que tivera a sorte de conhecer o Padre Nunes Pereira e que, muitas vezes, tomava café com ele, na Brasileira e no Moçambique. E ainda hoje estou para saber o que o levou, discretamente, nesse dia, a retratar-me. Tão discretamente, que enquanto o fez… eu não dei conta. Há momentos únicos nas nossas vidas, momentos irrepetíveis. Este, projectou-se num retrato, que com muito orgulho (e muita saudade do Padre Nunes Pereira) reproduzo aqui…