Improviso sobre o passado irrepetível…

Ninguém dirá que desisti
quando a loucura parecia tomar a forma
de um borrão na tua alma
e as mãos se desintegravam
nas palavras e nos gestos
que o vulcão implodia
ninguém dirá que desisti
quando mais precisaste de mim
na fronteira do que nunca se diz.

Ademar
28.02.2009

Não haverá, neste país, mais ninguém (com crédito de investigação e de experiência pessoal) que seja capaz de dar a cara pela morte assistida?!…

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Confesso que começo a ficar preocupado com a minha irmã. Eu sei que não haverá actualmente em Portugal quem, mais informadamente e convincentemente do que ela, defenda a causa da morte assistida (como a obra que, brevemente, virá a público com a chancela da Sextante demonstrará). Mas parece uma luta de David contra Golias: a minha irmã, quase só, contra a Ordem dos Médicos, contra a Igreja Católica e contra todos os preconceitos e tabus que a morte, há muitos séculos, convoca. Espero que outros apareçam no debate e que o debate, como hoje aconteceu na TVI 24, não seja apenas entre a Laura e a hipocrisia nacional. Ela merece, fora dos partidos, ser assistida nesta causa de todos nós…

Pessoalmente, não hesitaria: Vital Moreira é um excelentíssimo candidato e votaria nele. Infelizmente, irá concorrer pelo PS e o PS nunca terá o meu voto… E o Vital sabe muito bem por quê…

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Sou amigo do Vital há quase 40 anos e tenho o maior apreço e a maior estima por ele. É, sem dúvida, uma das melhores pessoas que eu conheci ao longo da vida e di-lo-ei sempre. E não fiquei nada surpreendido com a indicação do seu nome para cabeça de lista do PS nas europeias. É uma das poucas coisas que eu devo partilhar com José Sócrates: a admiração pelo Vital. Infelizmente, não poderei votar nele e ele… sabe bem por quê. De resto, e sem prejuízo da amizade que nos liga, ele também não votaria em mim, se eu fosse, por exemplo, (e não serei) candidato do BE.

Lembro-me, nesta hora, de uma conversa que tivemos (alguns dias depois do 25 de Abril), quando o Vital assumiu, publicamente, o seu compromisso com o PCP. Eu dizia-lhe que não entendia. Não entendia como, depois da Hungria e da Checoslováquia, alguém como ele podia ainda, à esquerda, reclamar-se da herança do estalinismo ou rever-se nela ou deixar-se confundir com ela. Não importa o que, na circunstância, o Vital me respondeu. De resto, fora ele que me iniciara ao conhecimento de Marx e de Lenine. E de Gramsci. E eu era o discípulo diante do mestre. Lembro-me apenas de lhe ter dito que, depois da Primavera de Praga, não havia mais argumentos para se ser… comunista, à moda do Komintern e de Cunhal. E que ele, o mestre, acabaria por concordar com o discípulo, rejeitando a herança política e ideológica que o conduzira ao PCP.

Há mais de 30 anos que sou vítima, como bracarense, do PS. Não consigo imaginar Vital em campanha, ao lado de todos aqueles que, em nome do PS, me fizeram desacreditar da bondade e da grandeza da política. Pessoalmente, votaria nele, de caras. Politicamente, estou impedido de o fazer. Por uma questão de higiene elementar. Sobra-me apenas a consolação de que ele perceberá isso. E continuaremos amigos.

Boa sorte, Vital! Tenho a certeza de que serás um grande deputado europeu, um dos melhores que já tivemos!….

Sócrates, ontem, insinuou; Arons de Carvalho, hoje, interpretou e esclareceu. Finalmente, sabe-se de fonte segura quem mexe os cordelinhos da “campanha negra” contra o PS e o Governo: o Público e a TVI (sobretudo, à sexta-feira)…

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Como o poder embriaga este gente, que já quase não admite escrutínio algum, a não ser o das palmas dos apaniguados…

Quem quer que conheça um pouco da história da construção europeia… sabe que é assim…

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Público, 28.02.2009
Em Espinho, Sócrates é a estrela. Em Bruxelas, não passaria de um figurante. Entende-se, por isso, pelo lado do umbigo, que ele troque a Cimeira Europeia pelo Congresso socialista. O que eu não entendo é que pessoas intelectualmente honestas desvalorizem o significado político da opção, apoiando-a com argumentos desonestos…
Para bom entendedor…