Que se pode esperar de uma escola que continua a arrebanhar os alunos em turmas e a sentá-los de costas uns para os outros, como se esse devesse ser o seu único ou principal destino?!…

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Público-Ípsilon, 31.10.2008
A maior parte dos professores, infelizmente, ainda não percebeu o imenso absurdo da escola tradicional de que se fala neste livro e neste filme. Turmas? Salas de aula (jaulas)? Carteiras em fila indiana viradas para uma parede ou um quadro qualquer? Programas pronto-a-usar? Disciplinas? Manuais? Prelecções? Aulas? Professores sozinhos? Toques de campainha para chamar e juntar os rebanhos? A lista de absurdos da escola tradicional é infinda. Talvez alguns olhos e algumas mentes se abram e inquietem um pouco, depois de verem este filme…

Valter Lemos já foi demitido?… (242)

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Público, 01.03.2008
Alguns leitores têm-me perguntado por que insisto, por que continuo, dia após dia, a exigir a demissão de Valter Lemos. Respondo: porque tenho memória e não admito canalhices políticas…
Durante cerca de seis anos, Ana Benavente foi, em nome do PS e com diferentes ministros (incluindo Augusto Santos Silva), Secretária de Estado da Educação. Para o mal e para o bem, foi uma das principais responsáveis pela política educativa do PS. António Guterres era o primeiro-ministro e Sócrates, membro do governo. Eu espero sempre que os partidos políticos, pelo menos, sejam capazes de assumir a coerência e a bondade das políticas que, no governo, desenvolvem. Durante seis anos, eu executei no terreno a política educativa do governo socialista, julgando que o PS, pelo menos, se reconhecia nela…
Valter Lemos, secretário de estado da educação de um governo ainda socialista, agora dirigido por Sócrates, considera que a política educativa de António Guterres produziu “os piores resultados escolares da Europa”. A crítica atinge em cheio a honra não apenas do PS, mas do actual primeiro-ministro e do ministro dos assuntos parlamentares. É, politicamente, uma deslealdade inqualificável e uma grosseria que ofende todos aqueles que, nas escolas, têm dado a cara pelas políticas educativas dos sucessivos governos…
Num país a sério, dirigido por gente com carácter e coluna vertebral, Valter Lemos afastar-se-ia imediatamente do governo ou seria afastado. Não sucedeu uma coisa, nem outra e Valter Lemos continua a exercer, tranquilamente, as suas funções, como se não pudesse ser responsabilizado pelos seus actos, ou seja, como se fosse inimputável. Só faltava mesmo sermos governados por inimputáveis!…
Eu recuso-me a aceitar este desgraçado estado de coisas e, por isso, continuarei a perguntar, todos os dias, se Valter Lemos já foi demitido. Eu não sou cúmplice…