Valter Lemos já foi demitido?… (238)

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Público, 01.03.2008
Alguns leitores têm-me perguntado por que insisto, por que continuo, dia após dia, a exigir a demissão de Valter Lemos. Respondo: porque tenho memória e não admito canalhices políticas…
Durante cerca de seis anos, Ana Benavente foi, em nome do PS e com diferentes ministros (incluindo Augusto Santos Silva), Secretária de Estado da Educação. Para o mal e para o bem, foi uma das principais responsáveis pela política educativa do PS. António Guterres era o primeiro-ministro e Sócrates, membro do governo. Eu espero sempre que os partidos políticos, pelo menos, sejam capazes de assumir a coerência e a bondade das políticas que, no governo, desenvolvem. Durante seis anos, eu executei no terreno a política educativa do governo socialista, julgando que o PS, pelo menos, se reconhecia nela…
Valter Lemos, secretário de estado da educação de um governo ainda socialista, agora dirigido por Sócrates, considera que a política educativa de António Guterres produziu “os piores resultados escolares da Europa”. A crítica atinge em cheio a honra não apenas do PS, mas do actual primeiro-ministro e do ministro dos assuntos parlamentares. É, politicamente, uma deslealdade inqualificável e uma grosseria que ofende todos aqueles que, nas escolas, têm dado a cara pelas políticas educativas dos sucessivos governos…
Num país a sério, dirigido por gente com carácter e coluna vertebral, Valter Lemos afastar-se-ia imediatamente do governo ou seria afastado. Não sucedeu uma coisa, nem outra e Valter Lemos continua a exercer, tranquilamente, as suas funções, como se não pudesse ser responsabilizado pelos seus actos, ou seja, como se fosse inimputável. Só faltava mesmo sermos governados por inimputáveis!…
Eu recuso-me a aceitar este desgraçado estado de coisas e, por isso, continuarei a perguntar, todos os dias, se Valter Lemos já foi demitido. Eu não sou cúmplice…

Protesto, protesto, protesto!…

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Corre um cidadão para casa para ver e ouvir a terceira parte da entrevista de Sócrates à TSF e ao Diário de Notícias e… nada. Sai-lhe apenas, no Jornal das Nove da SICNotícias, o ministro sósia de Sócrates, cujo nome, neste momento, não me ocorre. Hoje, estou revoltado. Só Fernanda Câncio, jornalista emérita do DN, me consola. Sim, a lealdade, eu também a exijo!…
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(…)
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Notícias Magazine, 26.10.2008

Uma espécie de onanismo paroquial…

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Público, 26.10.2008
Júdice é cronista do Público. Júdice reuniu em livro algumas das crónicas que publicou no Público. Que faz o Público? Numa parceria com a Rádio Renascença e a RTP2, entrevista o autor, por sinal, seu colaborador. E Júdice, como é habitual, diz coisas extraordinárias, que nunca escreveu nem escreveria nas crónicas.
Isto é o melhor da paróquia…

Valter Lemos já foi demitido?… (237)

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Público, 01.03.2008

Alguns leitores têm-me perguntado por que insisto, por que continuo, dia após dia, a exigir a demissão de Valter Lemos. Respondo: porque tenho memória e não admito canalhices políticas…

Durante cerca de seis anos, Ana Benavente foi, em nome do PS e com diferentes ministros (incluindo Augusto Santos Silva), Secretária de Estado da Educação. Para o mal e para o bem, foi uma das principais responsáveis pela política educativa do PS. António Guterres era o primeiro-ministro e Sócrates, membro do governo. Eu espero sempre que os partidos políticos, pelo menos, sejam capazes de assumir a coerência e a bondade das políticas que, no governo, desenvolvem. Durante seis anos, eu executei no terreno a política educativa do governo socialista, julgando que o PS, pelo menos, se reconhecia nela…

Valter Lemos, secretário de estado da educação de um governo ainda socialista, agora dirigido por Sócrates, considera que a política educativa de António Guterres produziu “os piores resultados escolares da Europa”. A crítica atinge em cheio a honra não apenas do PS, mas do actual primeiro-ministro e do ministro dos assuntos parlamentares. É, politicamente, uma deslealdade inqualificável e uma grosseria que ofende todos aqueles que, nas escolas, têm dado a cara pelas políticas educativas dos sucessivos governos…

Num país a sério, dirigido por gente com carácter e coluna vertebral, Valter Lemos afastar-se-ia imediatamente do governo ou seria afastado. Não sucedeu uma coisa, nem outra e Valter Lemos continua a exercer, tranquilamente, as suas funções, como se não pudesse ser responsabilizado pelos seus actos, ou seja, como se fosse inimputável. Só faltava mesmo sermos governados por inimputáveis!…

Eu recuso-me a aceitar este desgraçado estado de coisas e, por isso, continuarei a perguntar, todos os dias, se Valter Lemos já foi demitido. Eu não sou cúmplice…

Improviso suspenso em forma de lua…

Numa nesga de esperança
era uma esquina ou um violino tardio
um sopro quase de vento impossível
no deserto dos ossos
as mãos que tremiam o cigarro esquecido
e o labirinto interminável
de portas e janelas fechadas por fora
que nenhuma luz habitava
a noite escrevia palavras doentes
que perduravam
e os bares não serviam ninguém.

Ademar
26.10.2008