Improviso sitiado…

Não preciso de consultar nenhum mapa
para saber como se sai desta cidade
todas as ruas têm uma marca no meu corpo
uma tatuagem invisível
mas não há caminho para fora de mim
esta vida de espera é um vicio
não sei partir
não sei tão pouco como se parte
vejo apenas os barcos chegar
e chego sempre com eles.

Ademar
29.06.2008

Hoje, são os Tokio Hotel, amanhã serão, talvez… os New Lavoisier…

É o último sucesso dos New Lavoisier: Mother Cover. Deixo-vos com a minha tradução do “poema” (que eu acho, perdoai a imodéstia, que o valoriza)…
Dizes que ainda não tenho tomates
e pêlos nunca viste
o que tu não sabes é que a tua mãe gostou
quando saíste naquela tarde
para comprar ovos kinder
e não foi a primeira vez que curtimos
és tão virgem que nem sabes usar as mãos
nessa fenda em que as coxas te iludem
se faltasses menos à escola da vida
não precisarias de tantas explicações
dizes que ainda não tenho tomates
e pêlos nunca viste
mas pergunta à tua mãe
se não gostou.

John W. Morris

Valter Lemos já foi demitido?… (118)

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Público, 01.03.2008
Alguns leitores têm-me perguntado por que insisto, por que continuo, dia após dia, a exigir a demissão de Valter Lemos. Respondo: porque tenho memória e não admito canalhices políticas…
Durante cerca de seis anos, Ana Benavente foi, em nome do PS e com diferentes ministros (incluindo Augusto Santos Silva), Secretária de Estado da Educação. Para o mal e para o bem, foi uma das principais responsáveis pela política educativa do PS. António Guterres era o primeiro-ministro e Sócrates, membro do governo. Eu espero sempre que os partidos políticos, pelo menos, sejam capazes de assumir a coerência e a bondade das políticas que, no governo, desenvolvem. Durante seis anos, eu executei no terreno a política educativa do governo socialista, julgando que o PS, pelo menos, se reconhecia nela…
Valter Lemos, secretário de estado da educação de um governo ainda socialista, agora dirigido por Sócrates, considera que a política educativa de António Guterres produziu “os piores resultados escolares da Europa”. A crítica atinge em cheio a honra não apenas do PS, mas do actual primeiro-ministro e do ministro dos assuntos parlamentares. É, politicamente, uma deslealdade inqualificável e uma grosseria que ofende todos aqueles que, nas escolas, têm dado a cara pelas políticas educativas dos sucessivos governos…
Num país a sério, dirigido por gente com carácter e coluna vertebral, Valter Lemos afastar-se-ia imediatamente do governo ou seria afastado. Não sucedeu uma coisa, nem outra e Valter Lemos continua a exercer, tranquilamente, as suas funções, como se não pudesse ser responsabilizado pelos seus actos, ou seja, como se fosse inimputável. Só faltava mesmo sermos governados por inimputáveis!…
Eu recuso-me a aceitar este desgraçado estado de coisas e, por isso, continuarei a perguntar, todos os dias, se Valter Lemos já foi demitido. Eu não sou cúmplice…