Valter Lemos já foi demitido?… (55)

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Público, 01.03.2008
Quando um secretário de estado censura, publicamente, a actuação política (ainda que no passado próximo) de um colega ministro… que deverá fazer um primeiro-ministro (mais a mais, quando ele próprio fazia parte também do governo censurado)?
Duas hipóteses.
Hipótese 1
Cruza os braços e assobia para o ar, fingindo que não é nada com ele ou que ninguém percebeu.
Hipótese 2
Dispensa liminarmente os serviços do secretário de estado, ainda que ele possa ser seu amigo.
Um primeiro-ministro que assobie, covardemente, para o ar e faça de conta… só poderá merecer o desprezo do país…
Um primeiro-ministro que afirme a sua autoridade… merecerá, pelo menos, o respeito dos seus ministros.
Chegou a hora de José Sócrates mostrar o que vale como primeiro-ministro.

Improviso para índice do poeta…

Existo para pouco
tirando naturalmente para o que me pagam
ouvir Bach
e colher improvisos no espelho das noites
como quem
de olhos vendados
colhesse rosas num canteiro de acácias
é quase tudo falso ou redundante
no que escrevo
menos a vida e a morte
e o sangue das palavras
não tenho resposta para perguntas fabulosas
nem sei como se fotografa o reverso do silêncio
nas costas da insónia.

Ademar
26.04.2008

Uma recomendação a Cavaco…

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JN, 26.04.2008

O desinteresse dos jovens pela política não reflectirá, antes de mais, o desinteresse dos próprios pais e da sociedade em geral? E que faz a escola pública para “interessar” os jovens?…

Vários estudos têm destacado o empenhamento cívico e político evidenciado pelos jovens que passaram pela Escola da Ponte. Por que será? Porque, desde muito cedo, se habituaram a partilhar com os professores e os pais as responsabilidades de gestão diária da escola e dos seus recursos. Poucas decisões na Escola da Ponte são tomadas sem o envolvimento directo e activo dos alunos. Só assim (e não com discursos, mais ou menos pomposos e acacianos) se forma a consciência cívica e democrática das novas gerações.

Há muitas coisas que não precisam de ser inventadas, porque já existem. Se o Presidente da República quer perceber como se promove o civismo e o interesse dos jovens pela política… sugiro-lhe que vá passar uns dias à Escola da Ponte e veja como se faz. Tenho a certeza de que não se arrependerá…