Ele levanta a mão: será para, pecador, me bater?!…

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Correio da Manhã, 02.04.2008
A igreja dita católica promete engrossar a voz (espero apenas que a voz) contra aquilo que considera o “divórcio fácil”. E, pela voz do seu porta da dita, exige do Estadp que “crie condições para que os cidadãos possam viver a sua religião“. Eu também, como ateu, exijo do Estado que “crie condições” para que eu possa viver em paz o meu ateísmo, sem ser, permanentemente, agredido ou importunado pela igreja dita católica, como quando entro numa escola pública e esbarro com um crucifixo ou quando ligo a RTP e apanho, em directo, com uma missa. Ou entenderá Jorge Ortiga (que a imprensa continua, pateticamente, a tratar por Dom) que os cidadãos católicos, por o serem, têm mais direitos neste país do que os cidadãos ateus?…

“No Porto, todos conhecem e respeitam o Dr. Abreu Amorim”…

Reagindo a uma pequena nota, despretensiosa, que publiquei aqui ontem enquanto acompanhava o Prós e Contras, um leitor anónimo (que se identifica como Fernando, do Porto) fez-me chegar um apaixonado e simpático esclarecimento, que desde já agradeço e reproduzo:
Interessam aqui as ideias do homem, que são do mais sóbrio que se tem visto ultimamente nos media. Quanto a considerações estéticas, deixo-as à consideração da paneleirada da capital do império. Aqui no Porto toda a gente conhece e respeita o Dr.Abreu Amorim. Portanto, vai-te foder, ó anormal!
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Pedindo, humildemente, desculpa pela ousadia, traduzo o comentário do Fernando (Madureira?) para português usável nas salas de aula, incluindo das universidades:
1- Há ideias sóbrias e ideias com álcool a mais nas palavras: o Dr. Abreu Amorim, em geral, pratica a sobriedade;
2- Em Portugal, são os homossexuais de Lisboa que estão em melhores condições para avaliar esteticamente o Dr. Abreu Amorim;
3- No Porto, toda a gente, sem excepção de inteligência, carácter, linguagem, profissão, raça, género, religião, habilitação ou orientação sexual, conhece e respeita o Dr. Abreu Amorim;
4- Quem escreve ou dá a entender coisas distintas do que fica dito, é um “anormal” e merece, por isso, na alcova, ser tratado como tal.

Valter Lemos já foi demitido?… (30)

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Público, 01.03.2008
Quando um secretário de estado censura, publicamente, a actuação política (ainda que no passado próximo) de um colega ministro… que deverá fazer um primeiro-ministro (mais a mais, quando ele próprio fazia parte também do governo censurado)?
Duas hipóteses.
Hipótese 1
Cruza os braços e assobia para o ar, fingindo que não é nada com ele ou que ninguém percebeu.
Hipótese 2
Dispensa liminarmente os serviços do secretário de estado, ainda que ele possa ser seu amigo.
Um primeiro-ministro que assobie, covardemente, para o ar e faça de conta… só poderá merecer o desprezo do país…
Um primeiro-ministro que afirme a sua autoridade… merecerá, pelo menos, o respeito dos seus ministros.
Chegou a hora de José Sócrates mostrar o que vale como primeiro-ministro.

“A maravilhosa Escola da Ponte” ou… o Portugal dos Pequeninos em todo o seu esplendor…

As escolas públicas portuguesas têm de ser todas… horríveis.

As escolas públicas portuguesas têm de dizer todas… muito mal de si próprias.

As escolas públicas portuguesas são todas, obviamente, uma merda.

Ai de uma escola pública portuguesa que se atreva a não alinhar no choradinho dos alunos que não querem aprender, dos pais que não querem saber da escola dos seus filhos, dos professores, coitados, que amarguram diariamente o seu destino profissional!…

Sempre que se fala na Escola da Ponte, a inveja e a canalhice nacionais espumam de raiva.

Parece que, neste país, é proibido fazer diferente e gostar do que se faz.

Parece que, neste país, é proibido os alunos, os pais e os professores gostarem e dizerem bem da sua escola (pública).

Em diversas ocasiões, nas últimas três décadas, a direita mais estúpida deste país quis fechar a Escola da Ponte.

Um governo do PSD chegou mesmo a encomendar uma avaliação externa para acabar de vez com a praga. Os avaliadores (da Universidade de Coimbra) a quem a tarefa foi, cirurgicamente, encomendada sabiam que do seu relatório dependeria o futuro da Escola da Ponte e que o Governo só estava à procura de um pretexto para pôr fim a um projecto educativo que considerava utópico e subversivo.

Nunca nenhuma escola pública portuguesa foi submetida a uma avaliação assim.

Mas a Escola da Ponte resistiu e sobreviveu à minuciosa avaliação dos avaliadores. E o relatório final da avaliação, extremamente favorável à avaliada, acabaria por obrigar o Governo a mudar de planos e a celebrar com a Escola um contrato de autonomia, o primeiro que se fez em Portugal.

Na altura, coube-me a mim, institucionalmente, dar a cara pela Escola da Ponte e defendê-la de todos, incluindo do Governo, que a queriam matar. Quando outros, internamente, torciam o nariz à avaliação, eu bati-me para que ela se realizasse. Eu sabia que sem essa avaliação a Escola da Ponte seria fechada. Mas também sabia que essa avaliação, se fosse feita por gente honesta e rigorosa (como foi), prestaria justiça à Escola da Ponte e defendê-la-ia, por muitos anos, dos abutres. E o contrato de autonomia de que a Escola da Ponte hoje beneficia foi negociado por mim, duramente, cláusula a cláusula, com duas equipas ministeriais.

Cumprida a minha missão, abandonei a Escola da Ponte há quase dois anos e nunca mais lá voltei.

Mas continuarei, à distância, a defendê-la sempre dos ataques da canalha.