Um poema para José Sócrates…

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Cesário Verde, O Livro de Cesário Verde
Reproduzo apenas a parte inicial do poema de Cesário. A parte, aliás, que Sócrates conhece de cor. O país, por alguma estranha razão, desperta-lhe um desejo absurdo de sofrer…
E nós, solidariamente, sofremos com ele…

A declaração pedagógica do dia…

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Eu não dou lições a ninguém. O que não quero é recebê-las…
José Sócrates, no debate quinzenal na Assembleia da República, há pouco. É este, de facto, o estilo do governo: não recebe lições de ninguém. Sabe tudo e pode tudo. O país, se necessário, que se lixe…

Valter Lemos já foi demitido?… (26)

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Público, 01.03.2008
Quando um secretário de estado censura, publicamente, a actuação política (ainda que no passado próximo) de um colega ministro… que deverá fazer um primeiro-ministro (mais a mais, quando ele próprio fazia parte também do governo censurado)?
Duas hipóteses.
Hipótese 1
Cruza os braços e assobia para o ar, fingindo que não é nada com ele ou que ninguém percebeu.
Hipótese 2
Dispensa liminarmente os serviços do secretário de estado, ainda que ele possa ser seu amigo.
Um primeiro-ministro que assobie, covardemente, para o ar e faça de conta… só poderá merecer o desprezo do país…
Um primeiro-ministro que afirme a sua autoridade… merecerá, pelo menos, o respeito dos seus ministros.
Chegou a hora de José Sócrates mostrar o que vale como primeiro-ministro.

Improviso para dizer que morro…

Apodreço devagar
eu sei eu sei
não é poético escrever
apodreço devagar
os poetas não apodrecem
morrem apenas
e muito pouco naturalmente
diga-se aliás que
a morte do poeta é uma metáfora
ou nem chega a tanto
porque a obra do poeta nunca apodrece
está sempre pronta
digo disponível
para a antologia
ou a edição póstuma
a verdade porém é que sinto que
apodreço devagar
aliás
(perdoai que repita o advérbio)
no país e na língua em que escrevo
apodrece-se devagar
com excessiva e patriótica frequência
digamos assim
só os tolos é que apodrecem depressa.

Ademar
27.03.2008