24c.jpg
24horas, 27.12.2007
Em pouco mais de duas semanas, o 24horas dedicou, pelo menos, quatro manchetes (estas) a Pidá, um dos heróis da noite do Porto, actualmente detido. Não se tratará, propriamente, de uma fixação editorial, mas da procura desesperada de uma alternativa vendável a Maddie e a Esmeralda… Veremos se Pidá renderá, proximamente, mais manchetes…

barr1.jpg
No lugar das pedras está agora uma ponte. Já não é mais necessário arriscar o equilíbrio dos pés para seguir em frente. Dizes que devia ser difícil: podes crer que não era. Bastava ter olhos nos pés e controlar a ansiedade. Sim, eu sei que nem sempre se consegue, sobretudo, quando o caminho promete surpresas e aventuras. Mas há riscos e paciências que valem a pena. A lentidão não é inimiga da vida. Quem não saboreia, digere mal. Tu já aprendeste o valor da paciência e da teimosia e nunca é tarde para aprender o que mais importa. Há sempre uma ponte possível no lugar das pedras…

Os grandes títulos de um diário de referência…

hom.jpg
Público, 28.12.2007
Confesso que, ao passear distraidamente os olhos pelo título desta notícia, senti inveja das mulheres, quase raiva. Então os homens morrem mais? Há mulheres (essas desavergonhadas!) que não morrem? Relembrei por instantes a narrativa do Génesis e senti-me enganado, traído. Recuperei, porém, rapidamente, o humor quando observei que a jornalista do Público titulara “porque” em vez de “por que” e escrevera “prespectiva”. Só pode mesmo tratar-se de uma… estagiária…

enge.jpg
Poucas pessoas admirei tanto em vida (e continuarei a admirar) como o Engenheiro José Joaquim Moreira da Silva. Era um sábio da natureza e um homem verdadeiramente superior, de uma linhagem cada vez mais rara em Portugal. Tive a honra de o conhecer e de privar com ele. Devo-lhe lições que jamais esquecerei. E sorrisos e abraços e estímulos dos mais acariciantes. Sempre que morre um amigo, sinto que morro um pouco mais com ele. Compreendereis como me sinto agora…

Entre toda a luz e algumas sombras – memórias de uma viagem interior (66)…

beta.jpg
Nenhum sonho significa aquilo que parece. O gato que não derramou uma lágrima pela morte de Buda talvez tenha sido mais sábio do que o rebanho que o chorou. O gato, claro, é um símbolo. Entre o dia e a noite, está quase sempre no lugar da atenção (mais ou menos subserviente) ou da traição (mais ou menos dissimulada). Quando degolas um gato, talvez estejas apenas a matar o significado que nele, mais instantemente, te angustia. Mas sobram, claro, outros entendimentos, menos esquemáticos. O número de cabeças degoladas pode não ser um dado despiciendo. Como a identidade ou a própria visibilidade do carrasco. E as características dos animais sacrificados (tamanho, cor, raça) podem sugerir entendimentos ainda mais complexos. Ele há também gatos que rastreiam a própria noção de abandono. Ou de desconfiança. E a crueldade onírica teria, aqui, já todo um outro sentido. Seja como for, há sempre indícios de renascimento na aproximação ao simbolismo da morte. Nenhum gato morre em vão nos teus pesadelos, ainda que ninguém, nem mesmo tu, tenha a chave da compreensão do sacrifício. Sobra apenas esse colo, em que deitas todos os gatos. E em que te deitas, ronronando sempre…

Improviso para beber-te…

Ninguém reclama tanto das palavras
e nenhuma posição faz justiça à intensidade do teu corpo
e à leveza
há uma perfeição antiga no silêncio em que te escondes
um recato que acolhe uma profusão de mistérios
o mais original e impartilhável dos teus segredos
que continuo à espera que derrames nos meus lábios.

Ademar
27.12.2007