Greve, digo eu…

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As razões até podem não ser das mais entusiasmantes (o arrazoado destas “convocatórias” sindicais já me deprime), mas o governo merece uma lição, digo, uma greve à maneira. Por isso, amanhã, aderirei. Espero que valha a pena e que a alma dos grevistas não seja pequena…

Improviso para estranhar o cais de que partes…

Entre tantas vozes
talvez reconheças a minha
e se não a voz
pelo menos o silêncio
entre as palavras
a respiração
a verdade irreparável de todos os medos
diante do espectro da fome que te devora
nunca sei a que mesa te sentarás
nunca sei se a montanha terá regresso
e eu estarei à espera
tens o hábito de partir
sempre que eu chego mais perto.

Ademar
28.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras – memórias de uma viagem interior (46)…

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Há fotografias que eu jamais conseguiria imaginar. Nesta, estendes a mão solitária a um caçador que aparentemente te vira as costas. Tens o abandono no olhar e a mão está suspensa sobre um gesto que te recusa. Nestoutra, vestes as roupas da tua irmã e não sorris, mas as pernas arqueadas que espreitam da saia não parecem ainda pertencer-te. Nesta, escondes o rosto entre as duas mãos, esse gesto de todas as horas que nasceu contigo. Não consigo perceber se os olhos ainda espreitam por entre os dedos sempre frágeis. Neste álbum que agora imagino e desfolho, são tantas as fotografias em que te escondes assim: umas vezes, os olhos simplesmente fechados; outras, as mãos trémulas sobre o rosto. Nesta, uma das mais desbotadas, parece que não consegues ainda firmar-te sobre as pernas. Equilibra-te o ombro de um velho que, atrás do balcão, te segura e te protege. Comparo esta fotografia com a primeira que vi. Nenhum dos homens parece ter palavras suficientes para te dizer. O caçador vira-te as costas; o velho (o avô de que falas?) limita-se, quase distraidamente, a oferecer-te um ombro, para que não caias. Estas fotografias dizem como, desde a infância, aprendeste tão lentamente a conjugar as palavras no silêncio. E como sempre te cegaram os olhares que te esqueciam. Ainda que te importes, ficarei com estas…

A metamorfose de Valter Lemos…

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JN, 28.11.2007
Nenhum diário me diverte tanto como o JN. Repare-se nesta notícia. A fotografia que ilustra o texto, ao contrário do que sugere a legenda, não é de Valter Lemos (primeira gargalhada!) . E o “orador português” (segunda gargalhada!) para que remete o destaque não é, como se poderia inferir da fotografia supra, um secretário de estado qualquer, mas o inevitável Luís Imaginário. O JN anda a falhar, visivelmente, as “novas oportunidades”…