Improviso sobre a covardia…

Os filmes arrumados e alinhados sobre a mesa
e o gestor sempre ausente
o arroz de tomate e a pescada
e o vinho por beber
o ananás que agora apodrece
e a toalha que ainda escorre
de uma porta sempre fechada
as manchas no corpo por cartear
e todos os silêncios originais
é indiferente
a cobardia hesita sempre na segunda consoante.

Ademar
30.08.2007

Elogio de Séneca…

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JN, 30.08.2007
Não sei quem é o “cronista”, para além de se apresentar ou ser apresentado (os portugueses não têm a noção do ridículo) como “doutorado em filosofia” (como se a autoridade dos argumentos reclamasse a estridência da exibição de um título qualquer). Mas concordo, no essencial, com o que ele escreve. O tesão insuspeitado do báculo de Peculiar não pertence à realidade do bronze, mas à ficção dos malandrecos que fixaram nele o olhar e a objectiva…e a ironia. Como diria o filósofo Mesquita Machado, “cada um é livre de imaginar o que quiser quando olha para aquela estátua ou para as nuvens”. Séneca não diria mais acutilantemente…