Referendo europeu? Não, obrigado!…

Em mais de 20 anos, os eleitos do povo português sempre entenderam que a Europa só se decidia e votava no parlamento. A adesão de Portugal às Comunidades, o Tratado da União Europeia, a Moeda Única… tudo foi resolvido, na intimidade, entre as direcções de circunstância do PS e do PSD. Por que há quem queira agora chamar os portugueses a referendar uma coisinha em forma de tratado que, previsivelmente, no essencial, vai deixar tudo como está?… Eu dispenso a tardia generosidade. Guarde-se o referendo para quando valer a pena…

Críticos…

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Público, 27.06.2007
Sempre tive muito pouco apreço intelectual pelos críticos (não confundir com os estudiosos ou os historiadores) de arte. Costumo dizer: cresçam e apareçam! Ou seja, façam melhor! O problema é que, em geral, os críticos não são artistas: raramente passam de juízes ou julgadores da arte dos outros. Mais ou menos mediúnicos. Iluminados. Eles até sabem como devia fazer-se, mas não fazem (simplesmente, porque não saberiam fazer). Como ratazanas, esgaravatam o lixo, à procura de evidências putrefactas. O crítico pretende-se tanto mais conceituado quanto diz mal. Bem… dizem os divulgadores promocionais. Crítico que não diz mal… errou a vocação e trai os leitores ou os ouvintes. Porque toda a gente espera do crítico o azorrague, o bota-abaixo. É a vingança, o ajuste de contas da inveja dos que não foram tocados…
A arte é uma indizível expressão da criatividade humana. A crítica, quase sempre, um vómito de frustrações. Diana Ferreira é “crítica musical” do Público e, apesar da sua juventude e da sua formação, escreve com severidade. E a convicção do dogma. Eu leio-a com bonomia. E divirto-me imenso. Devo-lhe infindas gargalhadas. Imagino-a sempre a compor e a interpretar. E a ser objecto da mesma ferocidade dos críticos, hoje, seus camaradas e concorrentes…
Nesse dia, porque é uma rapariga inteligente, ela perceberia…

Flexi…quê?…

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DN, 27.06.2007
Da insegurança nasce a luz?… Como dizia Bertolt Brecht (traduzido por Paulo Quintela), “se o dinheiro não se herda,/ arranjai-o; senão – merda!”…

Ménage à trois…

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24horas, 27.06.2007
Repare-se na legenda da fotografia: ” José Eduardo Moniz vai ter Soraia nua na TVI. Penim deu autorização… sem saber”. Shakespeare imortalizaria esta traição…

Piratarias…

um poema é um sítio tão seguro
ali, as palavras não cortam a pele
pode-se ser homem ou mulher
gente, quase ninguém
pode-se afagar o tempo
dizer-lhe que está bem ter de morrer
ou ter de viver
pode-se fingir
interminavelmente
e até chegar a acreditar
que até se podia ser crente!
imagina:
umas quantas palavras e um não-dito
alguém há-de escavar
eu empresto a pá
e mostro o mapa
será sempre o começo de uma bela aventura
pensa já em ilhas e tesouros
e no mar
é aqui que quero chegar

Ana Saraiva

Caução, precaução ou atrevimento monopolista?…

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A EDP, que diligentemente me cobrou uma caução há mais de 25 anos e que, de dois em dois meses, me apresenta a factura do consumo, que eu pago religiosamente, quer que eu lhe peça agora, humildemente, a devolução da caução, talvez em papel selado. Estas empresas públicas, que desconhecem a lógica do simplex, são uma fraude. Uma fraude, pelos vistos, condescendida e talvez mesmo apadrinhada pelo governo.
Ficarei à espera que a EDP faça o que deve: que desconte o valor da caução numa das próximas facturas que me apresente. E que não brinque comigo.

Improviso para harmonizar…

O espaço entre as sombras de tanta presença
e o pensamento que nunca descansa
e raramente adormece
os brinquedos descuidados
as gavetas que abres e fechas
como se eu não estivesse lá dentro
e as mãos sujas de tanto pó acumulado
tanta vida de ausências
o pequeno livro de Catherine
no lugar de Babel
a voz em que repousas
no antebraço do sono
e o corpo em que foges
em direcção ao precipício mais próximo
nenhuma verdade é tão elementar como esta
gestos que reinventam a cumplicidade da harmonia.

Ademar
26.06.2007

Prendam o criminoso!…

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Record, 26.06.2007
As palavras, em Portugal, pesam muito pouco na ponta dos dedos dos jornaleiros desportivos. O título desta croniqueta é bem uma prova disso. O criminoso que deveria ser preso é Pinto da Costa, por ter estacionado o carro à porta do tribunal, no lugar reservado aos magistrados. Crime, escreve o jornaleiro, de “tráfego de influência”. Não sei se ria, não sei se chore. É tudo tão deprimente…

A demissão do mini Mega…

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Entre Mega Ferreira, boy socialista para todas as ocasiões, e Joe Berardo, cidadão-comendador, venha o diabo e resigne…
Convenhamos: Mega e Berardo, agora desavindos, são o melhor da pátria em todo o seu imenso esplendor. Eu prefiro mesmo o diabo…