Improviso em forma de recolhimento…

Casas que sofrem de ausências
lugares quase abandonados
acendo a luz e vejo apenas as sombras
cadeiras que dialogam o silêncio
sobram os chinelos e as almofadas
e um vago rasto de intermitências
o palco convida à presença dos actores
e há papéis invertidos
a espera que deixou de ser feminina
a incerteza
a teimosia
a intranquilidade.

Ademar
28.06.2007

Como se solta a… franga?!…

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24horas, 28.06.2007
Quando folheio os tablóides, sinto-me uma espécie de marciano. Não sei de nada, não conheço ninguém. É o que dá não ver televisão ou só ver as notícias. As “celebridades” escapam-me. Os programas que entretêm o povo, também. Hoje, ao folhear o 24horas, esbarrei neste título e fiquei a pensar: a mocinha irá mesmo soltar a… franga?… E o que é que isso significa?…

Eles querem matar-me à gargalhada!…

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Foi hoje inaugurado, com pompa e circunstância, o pavilhão multiusos de Gondomar, obra assinada por Siza Vieira. Estranhei, de início, a presença avalizadora (e, politicamente, misericordiosa) do Ministro das Finanças. Percebi depois, quando ouvi o Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, dirigindo-se a Teixeira dos Santos, elogiar o Governo e quando ouvi Teixeira dos Santos, dirigindo-se ao ilustre autarca, elogiar o empreendedorismo (ou lá como se diz) do Senhor Major Valentim Loureiro. Comecei a rir, a rir, a rir…
Os políticos deste país ainda me matam à gargalhada!…

Desagregações…

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24horas, 28.06.2007
Acontece aos melhores e aos piores, também…
Registo o comentário fleumático (diria mesmo, socrático) de Saldanha Sanches, reproduzido na edição de hoje do 24horas: “As universidades são um pouco como clubes: se nos querem lá, estamos; se não querem, não estamos.”
Ainda bem que Saldanha não exige que a desagregação seja apensa ao Apito Dourado!…

Mais uma bizarria ministerial…

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Público, 28.06.2007
Os pais que protestam têm razão. Se uma questão do exame era irrespondível e foi, por isso, anulada, não faz nenhum sentido que os alunos sejam penalizados por um erro que não lhes é imputável e que não lhes seja atribuída, na íntegra, a pontuação correspondente à referida questão. A majoração decidida pelo Ministério conduz a um desfecho que fere a lógica mais elementar: a questão a que os examinandos não puderam, por falta de dados, responder, não valerá para todos o mesmo. O erro grosseiro do Ministério será, proporcionalmente, pago pelos examinandos. Desconfio que ainda vai correr muita tinta sobre mais esta bizarria ministerial…

Assessores linguarudos…

Eu julgava que os assessores do Presidente da República assumiam, naturalmente, o compromisso de ouvir, aconselhar e calar. Pelos vistos, não é assim: há ex-assessores que adoram dar com a língua nos dentes e até publicam em livro informações que, supostamente, deveriam manter sob reserva. A ética, já se percebeu, não é o forte dos portugueses, muito especialmente, dos jornalistas ou jornaleiros

Improviso quase geográfico…

Todas as ilhas já foram desertos
não há poder de milagre que a água desconheça
um gole de ti
e o verde acontece
a essa ilha
sei apenas que ainda ninguém chegou
o quarto quase escuro da infância
uma espécie talvez de cela antiga
iluminada a medos e assombrações

ninguém te diz que és uma merda

onde tudo obedece ao silêncio das tuas mãos
e ao cansaço
nenhuma ilha é eterna
nenhum deserto.

Ademar
27.06.2007