La pudeur…

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Visão, 26.04.2007
Nós não precisamos de cortinas. Na hora do voto, gostamos muito de nos ver bem uns aos outros, uns nos outros…

Guernica, 70 anos depois…

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Faz hoje setenta anos. Guernica era uma pequena povoação basca, que nem vinha no mapa. Entrou para a história na tarde do dia 26 de Abril de 1937, quando os bombardeiros alemães, encomendados por Franco a Hitler, varreram a cidade. Para a história? Talvez não nesse exacto dia de sangue e destruição, mas apenas quando Picasso, uns meses depois, projectou a barbárie numa tela, imortalizando-a. A arte, aqui, serviu a história e a história ainda hoje vive da arte…
Sem Picasso, quem saberia hoje de Guernica?…

Sim, senhora ministra!…

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Visão, 26.04.2007
Aprecio, nas pessoas, a verticalidade. Não gosto de rastejantes. Quem rasteja, está a treinar para a morte e a morte… não se me recomenda. Maria Lurdes Rodrigues, que ainda vai passando por ministra da educação, diz hoje numa entrevista à Visão, referindo-se ao “dossier” habilitacional de Sócrates, o seguinte:
“Em muitas das observações feitas sobre este processo há um enorme desconhecimento da vida quotidiana nas universidades, que se faz de boas vontades para resolver problemas concretas dos alunos.”
Sim, senhora ministra: é tudo uma questão de… boa vontade. Um jeitinho aqui, um jeitinho ali… A gente já tinha percebido.

Anos-luz…

conto os anos-luz até ti
não sabia de todas estas vidas
não sabia que o tempo se acende
em ínfimas suspeitas
habitáveis
um planeta a estrear
habituado ao segredo
de quem não sabe
medir ou viver
amar ou perder
o tempo que não vem
atrás de outro, como mãos dadas
e um passo ligeiramente atrás
conto-te em anos-luz
para nunca mais me perder

Ana Saraiva

Improviso coloquiante…

Hoje não levanto a louça da mesa
não arrumo a cozinha nem as sensações
não faço a cama para dormir sozinho
não tomo banho
nem grito à janela
hoje não quero saber da noite
nem esperarei a carreira dos sonhos
na estação de todas as insónias
hoje não celebro calendários
não vou à missa
nem a jogo
hoje estou exausto do que fui
e prometi a mim mesmo descansar
de mim.

Ademar
25.04.2007

Um poema autografado de Eugénio de Andrade…

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Poema de Eugénio de Andrade, dedicado a Jorge Ulisses: “assim eram as mãos, elas próprias não o sabiam”. Jorge Ulisses é escultor, pintor, construtor de instrumentos musicais e foi, na década de sessenta, meu professor de desenho no Liceu Nacional Sá de Miranda. Acho que não aprendi nada com ele, senão… a admirá-lo. O Jorge Ulisses é um dos melhores portugueses que eu tenho a honra de conhecer. Já nem me lembrava (encontrei-a hoje por acaso) de que ele, um dia, no catálogo de uma exposição, me dedicou uma fotografia. Com que orgulho, Jorge, a reproduzo!…