O index dos Açores…

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Contava ontem o Público que “O Evangelho Segundo Judas”, de Benjamim Iscariotes (apelido providencial), não será, muito provavelmente, posto à venda nos Açores. De acordo com a notícia a que me reporto, quase duas dezenas de livrarias da região autónoma, entre as quais três lojas da Post, a livraria católica, terão recusado a encomenda da obra, algumas por temerem a reacção dos clientes.
Esta é a liberdade que a Igreja dita Católica sempre consentiu ao rebanho que muito diligentemente pastoreia…

O serviço público de televisão, à moda de Almerindo…

A RTP prestou hoje mais um serviço à igreja dita católica: dedicou 3 horas de emissão, com missa de permeio, a uma pastorinha analfabeta que, na infância, teve visões histéricas e que, se fosse viva, teria completado hoje 100 anos. Presumo que isto faz parte da agenda de serviço público de Almerindo, o grande devoto. Não sei se o cardeal hissopista participou uma vez mais na farra, mas entrevi no entremez a sombra de Salazar. Esta RTP, a caminho da beatificação, cheira mal, muito mal. É um caso de polícia. De costumes. Avance a demolição…

Sabores que se vão perdendo…

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Tenho 54 anos. Não me pesam. Muito pelo contrário: sinto-me hoje muito mais leve e muito mais livre do que há vinte ou trinta anos atrás. Carrego menos preconceitos, menos ilusões, menos cobardias. Só lamento uma coisa: que os sabores da vida se tenham vindo a degradar. Atenção: não se trata de uma metáfora. Falo de sabores em sentido literal. Não há fruto, por exemplo, que me saiba hoje como na infância. Não, não foi o meu sabor que se degradou: tenho a consciência degustativa do lento empobrecimento de quase todos os sabores. Hoje, sabe tudo a pouco mais do que nada. As laranjas, as tangerinas, os dióspiros, as ameixas, as nêsperas, os pêssegos que comia e saboreava na infância… hoje, já raramente os encontro. Os frutos ainda existem… mas os sabores intensos e distintos que eu lhes associava… perderam-se.
Soube hoje que a Häagen-Dazs vai deixar de produzir e comercializar o “sabor” Panna Cotta&Raspberry. Era o meu preferido. Como sobreviverei?…

Universidade?…

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E já são três os arguidos… Por este caminho, não há-de tardar muito que a Universidade Independente tenha uma extensão na… Polícia Judiciária. De que estará à espera Mariano Gago?…

Improviso para acender a lua…

As palavras dançam
entre as mãos
escorrem quase pelo corpo
como um fio de azeite
tento apoiar-me nelas
e tropeço em mim
soletrando os pés
corro atrás de sombras
ou de luzes peregrinas
acendo um fósforo para ver ao perto
e a chama distrai o olhar
perdendo-me em todas as esquinas
agora ouço a ausência dos teus gestos
e atravesso descalço a memória das cordas
que ainda tocam e amarram
caminhando na tua direcção
o chão arrefece nestas palavras
que transpiram o tempo.

Ademar
27.03.2007

Um preservativo para exorcizar consciências castradas…

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Este é um dos mais polémicos e inspirados “cartoons” de António. Uma igreja de castrados canónicos só pode ser, como se sabe e se tem visto, uma igreja de fariseus, de inquisidores e de devassos. O recalcamento forçado de uma parte essencial da vida só pode produzir, é inevitável, frustrados ou criminosos. Dispenso o convívio de uns e outros. E rejeito liminarmente tudo o que eles aspiram a representar.