Médico de família ou… a pudicícia do Público…

excert.jpg
Público, 26.02.2007
Aqui há uns dias, recebi um telefonema de um gajo que fez uma marcação de duas horas. A voz pareceu-me familiar, mas ainda assim pensei que não seria conhecido. O gajo fez reserva da melhor suite do motel. Quando cheguei vi que era o meu médico de família. Mas não tinha mal ? até porque ele sabe melhor do que ninguém que eu sou muito saudável.
Primeiro fomos para o banho turco, onde eu aproveitei para começar o broche, enquanto ele me perguntava se já tinha feito análises à urina. Depois passámos para a piscina, onde recebi uma espécie de minete subaquático muito bem feito. Saí da piscina, liguei a aparelhagem e agarrei-me ao varão para um strip. Fomos para a cama, fodemos como coelhos, tomámos banho, vesti-me, dei-lhe dois beijos e disse: ?Reparei que arfavas muito quando estávamos na cama. Tens de começar a fumar menos.?

Maria Porto, A Tua Amiga
Quem comparar as duas versões do texto (de resto, muito pobrezinho) notará que o Público, pudicamente, substituiu “broche” por br., “minete” por min. e “fodemos” por f. Esta pudicícia ortográfica (será estilo?) diz quase tudo sobre a tacanhez e a hipocrisia do pensamento dominante em Portugal. Diz-se tudo… fingindo que não se diz. Como Gil Vicente riria à gargalhada lendo o Público…

Muito mal fala o governo…

“Preços os mais altos possíveis”, dizia há pouco o Secretário de Estado de Transportes, na RTP1.
Confesso que já antecipo a vergonha (patriótica) sempre que um membro do governo abre a boca para falar….
O que não se aprende na escola primária, de facto… nunca mais se aprende.
Este governo é absolutamente incompetente (e atrevido) no uso da língua.

Vesperável……

esta parte do dia a que chamas tarde
leva-me numa grande atenção
já fui manhã
sol nascente
em olhos descrentes
fui semente
quando havia vento
sopro de sul desconhecido
hoje vou pelas tardes
entregar-me sem segredo
à terra molhada de sol
a esta parte do dia a que chamas tarde
sem cuidares se a luz que bate no céu
vai alta
ou desapareceu

Ana Saraiva

Improviso para mentir espelhos…

Não há código que explique
os silêncios do teu olhar
tudo é anterior a ti
as palavras já tinham sido inventadas
quando desaprendeste de falar
agora usas as mãos
para dizer simplesmente
que já não há espelho que te minta
a tua verdade
tem um futuro dentro.

Ademar
24.02.2007

De vez em quando, um “foward”…

Pediram-me que divulgasse e faço-o com muito gosto. Quem, como eu, tem filhos adolescentes ou pré-adolescentes, saberá tirar algum proveito do conteúdo deste “foward”…
Tens filhos(as), sobrinhos(as), netos(as) etc.?!?!
Para ler, divulgar e pensar muito bem no assunto
Após deixar os livros no sofá ela decidiu lanchar e entrar online. Assim, ligou-se com o seu nome de código (nick): Docinho14. Procurou na sua lista de amigos e viu que Meteoro123 estava ligado. Enviou-lhe uma mensagem instantânea:
Docinho14:
Oix. Que sorte estares aí! Pensei que alguém me seguia na Rua hoje. Foi mesmo esquisito!
Meteoro123:
Lol. Vês muita TV. Por que razão alguém te seguiria? Não moras num local seguro da cidade?
Docinho14;
Com certeza. Lol. Acho que imaginei isso porque não vi ninguém quando me virei.
Meteoro123:
A menos que tenhas dado o teu nome online. Não fizeste isso, pois não?
Docinho14:
Claro que não. Não sou idiota, já sabes.
Meteoro123:
Jogaste vólei depois das aulas, hoje?
Docinho14:
Sim e ganhamos!
Meteoro123:
Óptimo! Contra quem?
Docinho14:
Contra as Vespas do Colégio da Sagrada Família. LOL. Os uniformes delas são um nojo! Pareciam abelhas. LOL
Meteoro123:
Como se chama a tua equipa?
Docinho14:
Somos os Gatos de Botas. Temos garras de tigres nos uniformes. São impecáveis.
Meteoro123:
Jogas ao ataque?
Docinho14:
Não, jogo à defesa. Olha: tenho que ir. Tenho que fazer os TPC antes que cheguem os meus pais. . Xau!
Meteoro123:
Falamos mais tarde. Xau.
Entretanto, Meteoro123 foi à lista de contactos e começou a pesquisar sobre o perfil dela. Quando apareceu, copiou-o e imprimiu-o. Pegou na caneta e anotou que sabia de Docinho até agora.
Seu nome: Susana
Aniversário: Janeiro 3, 1993.
Idade.: 13.
Cidade onde vive: Porto.
Passatempos: vólei , inglês, natação e passear pelas lojas.
Além desta informação sabia que vivia no centro da cidade porque lho tinha contado recentemente. Sabia que estava sózinha até às 6.30 todas as tardes até que os pais voltassem do trabalho. Sabia que jogava vólei às quintas-feiras de tarde com a equipa do colégio, os Gatos de Botas.
O seu número favorito, o 4, estava estampado na sua camisola. Sabia que estava no oitavo ano no colégio da Imaculada Conceição. Ela tinha contado tudo em conversas online.
Agora tinha informação suficiente para encontrá-la. Susana não contou aos pais sobre o incidente ao voltar do parque. Não queria que ralhassem com ela e a impedissem de voltar dos jogos de vólei a pé.
Os pais sempre exageram e os seus eram os piores. Ela teria gostado não ser filha única. Talvez se tivesse irmãos, os seus pais não tivessem sido tão superprotectores. Na quinta-feira, Susana já se tinha esquecido que alguém a seguira.
O seu jogo decorria quando, de repente, sentiu que alguém a observava. Então lembrou-se. Olhou e viu um homem que a observava de perto. Estava inclinado contra a cerca na arquibancada e sorriu quando o viu. Não parecia alguém de quem temer e rapidamente desapareceu o medo que sentira. Depois do jogo, ele sentou-se num dos bancos enquanto ela falava com o treinador. Ela apercebeu-se do seu sorriso mais uma vez quando passou ao lado. Ele acenou com a cabeça e ela devolveu-lhe o sorriso. Ele confirmou o seu nome nas costas da camisola. Sabia que a tinha encontrado. Silenciosamente, caminhou a uma certa distância atrás dela. Eram só uns quarteirões até casa dela. Quando viu onde morava voltou ao parque e entrou no carro. Agora tinha que esperar. Decidiu comer algo até que chegou a hora de ir à casa da menina. Foi a um café e sentou-se.
Mais tarde, essa noite, Susana ouviu vozes na sala. “Susana, vem cá!”, chamou o seu pai. Parecia perturbado e ela não imaginava porquê. Entrou na sala e viu o homem do parque no sofá. “Senta-te aí”,disse-lhe o pai, “este senhor nos acaba de contar uma história muito interessante sobre ti”. Susana sentou-se. Como poderia ele contar-lhes qualquer coisa? Nunca o tinha visto senão nesse mesmo dia!
“Sabes quem sou eu?” perguntou o homem.
“Não”, respondeu Susana.
“Sou polícia e teu amigo do Messenger – Meteoro123″.
Susana ficou pasmada. “É impossível! Meteoro123 é um rapaz da minha Idade! Tem 14 e mora em Braga!”.
O homem sorriu. “Sei que te disse tudo isso, mas não era verdade. Repara, Susana, há gente na Internet que se faz passar por miúdos; eu era um deles. Mas, enquanto alguns o fazem para molestar crianças e jovens, eu sou de um grupo de pais que o faz para proteger as crianças dos malfeitores. Vim para te ensinar que é muito perigoso falar online. Contaste-me o suficiente sobre ti para eu te achar facilmente. Deste-me o nome da tua escola, da tua equipa e a posição em que jogas. O número e o teu nome na camisola fizeram com que te encontrasse facilmente.
Susana gelou. “Quer dizer que não mora em Braga?”. Ele riu-se:
“Não, moro no Porto. Sentiste-te segura achando que morava longe, não é?”
“Tenho um amigo cuja filha não teve tanta sorte: foi assassinada enquanto estava sozinha em casa. Ensinam-se
as crianças e jovens a não dizer a ninguém quando estão sozinhos, porém contam isso a toda a gente pela internet. As pessoas maldosas enganam e fazem-se passar por outras para tirar informação de aqui e de lá online.
Antes de dares por isso, já lhes contaste o suficiente para que te possam achar sem que te apercebas. Espero que tenhas aprendido uma lição disto e que não o faças de novo. Conta aos outros sobre isto para que também possam estar seguros”.
“Prometo que vou contar!”.
AGORA: Por favor, envia isto aos teus amigos de forma a que não forneçam informações sobre si próprios. O mundo em que hoje vivemos é perigoso de mais.
REENVIA ISTO TAMBÉM A PESSOAS SEM FILHOS PARA QUE O ENVIEM AOS SEUS AMIGOS QUE TÊM FILHOS E NETOS. CUIDADO COM AS INFORMAÇÕES QUE PASSAS NO HI5, NO MSN OU OUTROS.